Mangueirinha: História
=== Povoamento ameríndio pré-colonial ===
As pesquisas arqueológicas mais recentes indicam que a presença humana no sudoeste do Paraná data de 9.040 +-40 anos Antes do Presente, período em que a região apresentava um clima mais seco e frio do que o atual. Esses vestígios, compostos por instrumentos líticos e centenas de gravuras rupestres, foram encontrados no sítio Ouro Verde I, localizado no município de Boa Esperança do Iguaçu, e representam também as evidências mais antigas de ocupação humana em todo o atual território paranaense.
Vivendo da caça, pesca e coleta de alimentos, esses grupos ameríndios expandiram-se pelos vales e morros do sul e oeste do Paraná à medida que o clima se tornava mais quente e úmido, há cerca de 7.000 anos. Em geral, os fragmentos e artefatos em pedra desse período são associados às tradições líticas Umbu, Humaitá e Bituruna, ainda que outras matérias-primas, como ossos e madeiras, também tenham sido utilizadas. Esses primeiros habitantes, contudo, não fabricavam cerâmica nem praticavam a domesticação de plantas ou animais.
No atual município de Mangueirinha, mais especificamente às margens do rio Iguaçu, foi identificado um sítio arqueológico contendo instrumentos líticos associados à Tradição Bituruna. Denominado Barra do Rio Butiá 1, o sítio foi descoberto em 1992 durante pesquisas arqueológicas realizadas na área da Usina Hidrelétrica de Segredo.
Por volta de 2.500 anos atrás, os primeiros grupos ceramistas teriam alcançado a bacia do rio Iguaçu, oriundos do interior do continente. Ancestrais dos atuais Kaingang e Xokleng, essas populações introduziram uma novidade tecnológica na região: a agricultura. Dessa forma, foram introduzidos o cultivo de espécies como milho, feijão, amendoim e mandioca na região do Baixo Iguaçu. Os grupos humanos que já habitavam o sudoeste paranaense provavelmente foram incorporados a essas populações horticultoras, mais numerosas, embora possam ter ocorrido conflitos nesse processo. De acordo com as pesquisas arqueológicas e antropológicas mais recentes, os primeiros grupos ceramistas a alcançarem o atual Brasil Meridional seriam falantes de idiomas do tronco Macro-Jê.
Com base nas técnicas de produção observadas na cerâmica, ferramentas de pedra e padrões de assentamento, esses grupos são geralmente associados à Tradição Itararé-Taquara. Suas aldeias eram compostas por diversas “casas subterrâneas”, estruturas arredondadas ou elipsoidais escavadas no solo e cobertas por palha, sustentadas por um pilar central.
Em Mangueirinha já foram identificados 15 sítios arqueológicos com vestígios materiais associados a essa Tradição: Campina Bela 2, Rio Portão 1, Rio Portão 2, Belao, Sítio da Barragem, Sítio do Monólito, Corredeira, Cachoeira, Fonte do Encantilado, Rio Vila Nova 1, Ilha Grande, Barra do Rio Butiá 2, Butiá 1, Butiá 2, Butiá 3, e Butiá 4. A maioria desses sítios localiza-se próximos ao rio Iguaçu e seus afluentes, indicando a importância estratégica dessas áreas para as antigas populações.
Séculos mais tarde, entre os séculos I e V d. C., novas populações ceramistas e horticultoras alcançaram as bacias dos rios Iguaçu, Tibagi e Paraná, provavelmente gerando novas disputas e alianças entre as aldeias que já existiam na região. Falantes de idiomas tupi-guarani esses grupos são considerados ancestrais dos atuais Guarani, e sua cultura material é associada à Tradição Tupiguarani, definida principalmente pelo estilo de sua cerâmica. …