Clevelândia: História
=== Primeiros Povoamentos Humanos ===
Identificados no sítio Ouro Verde I (município de Boa Esperança do Iguaçu), as ferramentas de pedra e as quase 500 gravuras rupestres desenhadas em afloramentos rochosos de andesito e basalto constituem as evidências mais antigas da presença humana na região entre os rios Chopim e Iguaçu. Segundo as pesquisas mais recentes, esse conjunto de evidências data de cerca de 9.000 anos atrás, quando diversos grupos ameríndios se estabeleceram no atual sudoeste do Paraná. Esses primeiros grupos humanos viviam em um ambiente mais seco e mais frio do que o atual, com predomínio de campos e estepes. As matas de araucárias eram consideravelmente menores, provavelmente se concentrando em áreas mais úmidas.
Embora sem informações a respeito do período de ocupação, há ao menos um sítio arqueológico em Clevelândia onde antigos instrumentos líticos pré-coloniais foram identificados. Localizado na margem esquerda do rio São Francisco, o sítio São Francisco Sales 1 provavelmente tratava-se de um antigo acampamento ameríndio, apresentando instrumentos bifaciais e unifaciais feitos em basalto, arenito silicificado, calcedônia e quartzo. Em geral, as peças encontradas correspondem a lâminas de machado, mãos-de-pilão, raspadores e outras ferramentas, assim como um grande número de lascas e outros fragmentos relacionados à produção desses instrumentos.
Os primeiros grupos ceramistas teriam alcançado a região do Baixo Iguaçu a cerca de 2.500 anos A.P. (antes do Presente), provavelmente oriundos do Planalto Central. Seja pela expulsão ou assimilação de populações pré-ceramistas mais antigas, esses povos fizeram dos vales e morros do sudoeste paranaense seu território, introduzindo também o cultivo de espécies domesticadas, como o milho, batata-doce e mandioca. Além disso, também manejavam espécies de palmeiras e pinheiros, como a araucária, através da qual obtinham o pinhão. De acordo com as pesquisas arqueológicas e antropológicas mais recentes, os primeiros grupos ceramistas a alcançarem o atual Brasil Meridional seriam falantes de idiomas do tronco Macro-Jê, ancestrais dos atuais povos Kaingang e Xokleng. Vestígios das antigas aldeias desses grupos indígenas são encontradas em todo o baixo Iguaçu, quase sempre com a presença das chamadas “casas subterrâneas”. Com diâmetros predominantemente circulares, variando entre 2 e 20 metros, essas estruturas subterrâneas eram escavadas no chão e cobertas por palha, a qual era sustentada por um pilar central vertical.
Em Palmas, município vizinho de Clevelândia, foram identificados cinco sítios arqueológicos que testemunham a presença dos povos Macro-Jê na bacia do rio Iguaçu (Sítio da Fogueira, Fazenda Don José, Sete Ilhas, Barra do Rio Butiá 3 e Sítio da Sanga). Em geral, a maioria das pesquisas arqueológicas relacionam essas evidências materiais com a chamada Tradição Itararé-Taquara. Em Clevelândia, por sua vez, há o registro de um sítio arqueológico cerâmico, identificado em 2017. Denominado sítio PCH São Luís 1, trata-se de um antigo acampamento ameríndio onde também foram encontrados fragmentos de antigas ferramentas de pedra.
Alguns séculos antes da chegada dos primeiros europeus, há registro do avanço dos Guarani sobre a região entre os rios Iguaçu e Chopim, o que muito provavelmente gerou conflitos por esses territórios. …