Bom Jesus do Galho: História
Até o século XVIII, o lugar era habitado exclusivamente por botocudos. A região de Ouro Preto passava por uma decadência na extração de ouro e com isso expedições adentaram o Vale do Rio Doce à procura do metal até o atual município de Conselheiro Pena (onde chegaram em 1781). Os exploradores instalaram um ponto de parada em Quartel do Sacramento e próximo dali construíram uma ponte sobre o rio Doce em 1779. No começo do século XIX, houve interesse por parte dos colonos de habitarem o Vale do Rio Doce, passando a disputar as terras com os povos originários. Durante as disputas, os indígenas supostamente incendiaram a antiga ponte, que foi reconstruída na década de 1930 e atualmente é conhecida como Ponte Queimada, onde hoje se encontra a divisa entre Pingo-d'Água e Marliéria.
Em 1820, o soldado francês Guido Marlière substitui as batalhas contra os nativos pela catequização dos mesmos, facilitando o povoamento, e em 1847, Reginaldo Lopes e João José da Silva tomam posse de sesmarias de terras na cidade. Nas décadas seguintes observa-se um considerável desenvolvimento em função da agricultura e um notável fluxo migratório para o atual município, em especial com pessoas de origem de Araponga, Jequeri, Ervália e Viçosa. O topônimo "Bom Jesus" foi uma homenagem que Adão Coelho fez após recorrer ao Senhor Bom Jesus e se curar de uma enfermidade, por volta de 1880. Adão doou terreno para construir uma pequena capela, onde situa-se a Igreja Matriz. Ao seu redor se formou um pequeno núcleo urbano, que teve um abrupto crescimento após a chegada da Estrada de Ferro Leopoldina, na década de 30, sendo desativada décadas depois.
Dada a evolução econômica e demográfica, pela lei provincial nº 2.407, de 5 de novembro de 1877, é criado a partir do povoado o distrito de Galho (subordinado a Caratinga), recebendo a denominação de Bom Jesus do Galho pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, o distrito perde área para a criação de Vermelho Velho, pertencente a Matipó. Sua emancipação ocorreu pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, constituído pela sede municipal e pelo distrito de Vermelho Velho, que voltou a fazer parte de Bom Jesus do Galho.
Pela estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, foram criados os distritos de Córrego Novo e Passa Dez, ao mesmo tempo que Vermelho Velho voltou a ser desmembrado de Bom Jesus do Galho, agora anexado a Raul Soares. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, houve a criação do distrito de Quartel do Sacramento e Córrego Novo foi elevado a município. A lei complementar nº 7 de 28 de novembro de 1995 criou o distrito de Revés de Belém, restando a partir de então três distritos, além da sede municipal: Passa Dez, Quartel do Sacramento e Revés de Belém.