Tenente Portela: História
=== Anos iniciais ===
O primeiro registro da chegada de homens para conhecerem e demarcarem a área onde está hoje o município de Tenente Portela, conforme um registro efetuado pelo historiador Mozart Pereira Soares, em sua obra Santo Antônio da Palmeira, remonta à 1754 quando a Câmara de Vereadores de Cruz Alta, a quem pertencia a área geográfica, decidiu contratar o trabalho de um tenente do exército nacional para comandar uma expedição às matas nos “costilhares” do Rio Uruguai para dimensionar o potencial de erva mate nativa. A erva era na época um produto com razoável mercado comercial. Foram registradas áreas enormes de ervais nativos na região próxima onde se situada a atual sede do município.
Além deste registro, relatos anteriores contam da passagem de jesuítas que teriam cruzado a região do Rio Uruguai, percorrendo trechos do Rio Guarita e Rio Turvo. Eles teriam transitado por essas terras, vindo da região da Foz do Iguaçu em caminho a região dos Sete Povos das Missões e vice-versa.
No final do século XIX, com o advento da Revolução Federalista de 1893, dezenas de famílias, acuadas pelos vitoriosos adentraram as matas da região, se estabelecendo com pequenas lavouras de subsistência dedicando-se a colheita da erva mate nativa. Entre essas famílias estão algumas de origem portuguesa como a família Lima, família Fortes e a família Castro, essa última descendente de imigrantes vindos do sul de Minas Gerais, numa região conhecida por Caxambú, que mais tarde viria também a ser município. Em função da origem acabaram recebendo a alcunha de “caxambus”, sina que muitos descendentes carregam até hoje.
Em decorrência da existência de tribos Kaingangs e Guaranis na região, o local onde esses imigrantes se estabeleceram, ao que se sabe, já tinha o nome indígena de Parí (ou Paris), inclusive um dos rios que cruzava as terras leva o nome de Parizinho. Pari, por sua vez, era um procedimento que os indígenas utilizavam para a pesca, tratando-se de uma armadilha de pesca que consiste em um tapume feito de estacas, que atravessa o rio de um barranco a outro, tendo ao meio uma abertura por onde os peixes, não tendo outra passagem, atravessam e caem num compartimento, cujo fundo é uma tela, onde são retidos. …