Alfredo Chaves: História
=== Colonização portuguesa e as sesmarias ===
A ocupação territorial do atual município teve início no século XIX, com a colonização de origem portuguesa. Dom Pedro II doou ao guarda de honra da corte imperial, o português Augusto José Álvares e Silva, uma extensão de quinhentos alqueires de terra na região. Essa propriedade foi dividida em cinco partes denominadas sesmarias: do Norte, do Sul, do Leste, do Oeste e Quatinga.
Após a morte de Augusto, sua esposa Macrina Rachel da Conceição herdou as terras e doou parte da sesmaria aos escravos que não dispunham de moradia. A área doada, conhecida como morro do cemitério, passou a ser chamada "Povoado de Nossa Senhora da Assumpção". Com a chegada posterior dos jesuítas de Benevente e a construção de uma igreja, o local passou a ser denominado "Povoação de Nossa Senhora da Conceição".
Em 1877, os primeiros imigrantes italianos chegaram à região, desembarcando em Benevente (atual Anchieta) e subindo o Rio Benevente de canoa até a sesmaria Quatinga, onde fundaram o povoado de Alto Benevente. Parte desses colonos, receosos das enchentes e dos conflitos com grupos indígenas, prosseguiu rio acima em direção a áreas mais elevadas, estabelecendo-se num local que batizaram de Vila de Todos os Santos. O período inicial foi marcado por condições adversas: matas fechadas, presença de animais silvestres e surtos de malária, que vitimaram membros de diversas famílias.
Em 1878, Dom Pedro II enviou Alfredo Rodrigues Fernandes Chaves à região para resolver os conflitos entre colonos e indígenas instalados nas fazendas Togneri e Gururu. Novas levas de imigrantes italianos chegaram em 1888 e 1895, colonizando localidades que incluíam as atuais comunidades de Araguaia, Santo André, São Marcos, Matilde, Carolina, Deserto, Urânia, Maravilha e Ibitiruí. Parte desses imigrantes foi desembarcada no Espírito Santo de modo não planejado: comandantes de navios com destino aos portos do sul do Brasil forçavam os passageiros a desembarcar em Benevente ou Itapemirim para reduzir o percurso e evitar quarentenas nos portos de destino, acumulando a diferença como ganho próprio.
O distrito de Alfredo Chaves foi emancipado em 24 de janeiro de 1891, separando-se do município de Benevente, atual Anchieta. O desenvolvimento inicial foi impulsionado pelos imigrantes italianos, que estruturaram o comércio local e expandiram a cafeicultura. Em 1922, foram implantados os serviços de abastecimento de água potável, esgoto e iluminação elétrica.
A construção da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo (EFSES) representou um marco para a integração econômica do município, facilitando o escoamento do café produzido na região em direção ao Porto de Vitória e estimulando o desenvolvimento dos distritos ao longo do traçado ferroviário.
A partir da década de 1960, a crise da cafeicultura impulsionou a migração dos produtores rurais para a bananicultura, atividade que demonstrou boa adaptação ao solo e ao clima da região. O crescimento da produção de banana e da pecuária leiteira consolidou uma nova base econômica para o município e deu origem à Festa da Banana e do Leite, evento que integra o calendário cultural alfredense.