Flórida Paulista: História
Flórida Paulista surgiu em uma época de grande desenvolvimento da cafeicultura nacional. O mundo já havia superado as dificuldades criadas pela crise econômica de 1929, e o consumo de café crescia a passos largos. No cenário internacional, a Segunda Guerra Mundial dava seus primeiros passos, em um ambiente de conflito ideológico entre o nazi-fascismo de um lado e o bloco comunista e capitalista do outro. Prevendo as consequências do conflito, as nações mais ricas compravam intensamente no exterior para aumentar seus estoques. No Brasil, vigorava o Estado Novo de Getúlio Vargas.
Enquanto as regiões vizinhas da Noroeste e da Sorocabana já tinham sido desbravadas — restando nelas pouca mata e pouco espaço para novos cafezais —, o oeste do estado ainda guardava a Alta Paulista. De Pompéia até as barrancas do Rio Paraná, a região era coberta por matas virgens e terras extremamente férteis. Esse cenário atraiu a atenção de milhares de pessoas que buscavam terras novas para o plantio. Foi nesse contexto que muitos adquiriram glebas, iniciaram loteamentos e deram origem a um novo patrimônio.
Assim, em 1941, na famosa "Nova Alta Paulista", os pioneiros José Froio e Antônio Miguel de Mendonça destinaram uma área para a fundação desse patrimônio, ao qual deram o nome de Aguapeí do Alto, inspirados pela fertilidade do solo e pelo colorido de sua vegetação repleta de flores. As terras ao redor foram vendidas, as matas deram lugar aos cafezais e várias famílias chegaram para fincar raízes, como os Morandi, Silva Santos, Dias, Garbeloto, Pedro Costa, Junqueira, Cardoso, Correia, Carmo, Frasson, Iwata, Viol, Corveloni, Freitas, entre outras.
Naquela época, a infraestrutura era precária: não havia asfalto na Alta Paulista, nem linhas de ônibus para longas distâncias. As estradas eram poeirentas e, em dias de chuva, o barro e os buracos paralisavam o contratempo. O trem era o melhor meio de transporte existente. A logística melhorou significativamente em 1948, quando a Companhia Paulista de Estrada de Ferro inaugurou o trecho de Tupã a Adamantina, trazendo os passageiros para mais perto.
O ano de 1948 também foi marcado por grandes avanços locais. Flórida Paulista recebeu energia elétrica graças à instalação de uma usina pelo Sr. Pedro Fróio. Sob a responsabilidade dele também funcionou a primeira serraria — essencial para desdobrar a madeira bruta das derrubadas, além do primeiro posto de combustível da cidade. Ainda no início daquela década, a vida cultural ganhou força com a criação da primeira corporação musical, capitaneada pelo imigrante italiano Humberto Scrignolli e composta por músicos de alto nível, como os irmãos Morandi. O maestro Humberto era irmão de Ermilda Scrignolli Fróio (pioneira que hoje dá nome ao Parque Infantil da cidade) e esposa de Pedro Fróio. Mais tarde, o grupo passou a se chamar Corporação Musical Maestro David Travesso.
A força comercial da cidade se consolidou em 1947, com a chegada do imigrante italiano Giuseppe Stefani e seus filhos. Vindos de Garça e acreditando no potencial da região, eles fundaram duas lojas marcantes: o "Depósito de Retalhos" (de tecidos, calçados e roupas) e as "Lojas Elepê" (de eletrodomésticos). A família se integrou tanto à política local que um dos filhos, Antônio Luiz Stefani, foi eleito prefeito na década de 50.
Como ápice desse crescimento, o distrito foi oficialmente elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 233, de 24 de dezembro de 1948, desmembrando-se do território de Lucélia.