Carapebus: História
O início da colonização da área que corresponde ao município de Carapebus ocorreu em 1627, quando a Coroa Portuguesa concede aos Sete Capitães - militares portugueses que lutaram na expulsão dos franceses da Baía da Guanabara -, todo o território entre o Rio Macaé e o Cabo de São Tomé, incluindo Carapebus, que pertencia aos quinhões destinados aos capitães Duarte Corrêa e Gonçalo Corrêa, irmãos, parentes do poderoso Governador Salvador Corrêa de Sá e Benevides.
No século XVIII, um grande território conhecido como "Caxanga", foi dado em sesmaria ao fidalgo português Antonio de Ramalho, casado sucessivamente com duas filhas do governador-geral da Ilha de Joanes (Marajó), Capitão-mor André Fernandes Gavinho. Já no ano de 1785, o cartógrafo Manoel Martinz do Couto Reys cita o reinol Capitão Francisco José de Sousa como grande proprietário de terras, estabelecido em 1770, nas proximidades da Lagoa de Carapebus, com engenho de açúcar, 37 escravos, 250 vacas parideiras, 60 bois de carro, 50 novilhos, 18 novilhas, 63 bezerros, 16 éguas, 7 cavalos machos, 6 poldros, 4 poldras, com produção de 175 arrobas de açúcar, 360 medidas de aguardente, além de algodão, milho, farinha de mandioca e feijão. O Capitão Sousa era casado com a campista D. Gertrudes Maria de Jesus (Pereira Rabello) e não tiveram filhos. Viúva, D. Gertrudes deixou suas propriedades carapebuenses para seu irmão o Capitão Antonio Pereira Rabello, cujos descendentes se estabeleceram em Carapebus.
Um grande território conhecido como "Içaras", compreendendo duas grandes fazendas, nos distritos de Carapebus e Quissamã, medindo 1.360 braças de comprimento e 40 de largura, foi doado à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Carapebus por Tomás de Carvalho e Manuel Gregório. Segundo o pesquisador Elbe Tavares de Almeida muitas lendas surgiram em torno das terras das Içaras, destacando-se as que envolvem o nome de D. Anna Francisca da Rocha, rica senhora de mais de cem escravos.
No século XIX, tornou-se Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Carapebus, termo do município de Macaé (RJ), com prósperas plantações de açúcar e café, domínios das importantes famílias Pereira Rabello, Gavinho, Torres, Rocha, Pinto Leite, Fernandes de Souza, Silva Tavares, José, Fragoso, Prata, Alves da Cruz (família da primeira Baronesa de Carapebus, D. Antonia Joaquina Alves da Cruz, residente no Solar do Beco, em Campos-RJ), dentre outras. Nesse tempo destacava-se a figura do Comendador José Gavinho Viana (1826-1904), fidalgo português, capitalista, negociante, fazendeiro, senhor de engenho e escravocrata, casado sucessivamente com três herdeiras da família Pereira Rabello. O Comendador Gavinho, o Padre José Alves da Cruz e o Capitão Rozendo José, foram responsáveis pela construção da Igreja Matriz, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, no Caxanga, que levou 17 anos para ser concluída, de 1858 a 1875, sucedendo a Igreja da Praia e a Igreja de Içaras. A Paróquia de Carapebus foi criada pela Lei Provincial n° 272 de 9 de maio de 1842.
A localidade Caxanga, surgida dentro da fazenda do mesmo nome, foi o primeiro núcleo de populacional carapebuense, com casas de negócios, armazéns, praça do pregão, cartório, cadeia, Igreja Matriz, etc. Em 1872 foi inaugurado o Canal Campos-Macaé passando por terras carapebuenses. No ano de 1875 foi inaugurada a linha férrea pela Cia. Estrada de Ferro Macahé-Campos, sendo substituída em 1889 pela Cia. …