Boa Nova: História
Os primeiros desbravadores da região onde se situa o município foram os bandeirantes João da Silva Guimarães, André da Rocha Pinto e João Gonçalves da Costa. Eles estavam em busca do ouro das lendárias minas auríferas existentes na serra do Timorante. Tal exploração se deu no período de 1744 a 1790.
Próximo a 1800 se estabeleceu definitivamente na chamada Fazenda de Uruba, o Capitão-mor Antônio Dias de Miranda, filho do bandeirante João Gonçalves da Costa. Dessa fazenda e a partir de seus descendentes se irradiou os primeiros povoamentos que com o tempo passou a se denominar Boca do Mato.
O príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied fez um relato de sua passagem pela região em 1817 no seu livro 'Viagem ao Brasil'.
O nome Boa Nova surgiu mais ou menos em 1860, quando, ao passar por essa região, certo frade que voltando de uma missão na vila de Vitória da Conquista se perdeu nas selvas, sendo socorrido por moradores da terra. Em recompensa o frade ofereceu uma estampa de Nossa Senhora da Boa Nova, pedindo que construísse no local uma capela. O fazendeiro Antonio Coelho Sampaio, seu genro e um dos filhos de João Gonçalves Costa, foi quem se encarregou disto. Foi seu primeiro vigário o Padre Exupério de Souza Gomes.
A povoação foi elevada à vila em 1903, e em 1918 foi criada a freguesia. O município de Boa Nova foi elevado a cidade no dia 6 de agosto de 1921.
O gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus), uma ave endêmica da Mata de Cipó e ameaçada de extinção é encontrada nas matas da região, e se tornou o símbolo dos esforços de conservação das florestas de Boa Nova.
De 2003 à 2017, a SAVE Brasil, representada pelo ornitólogo Edson Ribeiro Luiz, atuou na região de Boa Nova, uma área que abriga quase 450 espécies de aves, sendo algumas endêmicas e ameaçadas. Nesse sentido, a SAVE Brasil desenvolveu um trabalho de engajamento comunitário no município, para sensibilizar a população sobre a importância do gravatazeiro, culminando com inúmeros resultados práticos de conservação. Em pouco tempo, a ave se tornou um orgulho para a cidade, virando nome de time de futebol, tema para o trabalho de artistas, e ao mesmo tempo o desmatamento e a caça entraram em declínio.
Para proteger o habitat do gravatazeiro e das outras várias espécies ameaçadas de extinção que viviam ali, era necessário também transformar essa região em área protegida. Após o entrave envolvendo a licença da mineradora Rio Tinto para extrair bauxita nas áreas onde as unidades de conservação seriam construídas, a SAVE Brasil negociou com a empresa para que esta formalizasse a desistência de explorar a área e, assim, abrisse o caminho para a criação das unidades de conservação.
Em 2010 foi criado por decreto presidencial o Parque Nacional de Boa Nova e o Refúgio de Vida Silvestre de Boa Nova que totalizam mais de 27.000 hectares de áreas protegidas, isso representa cerca de 31% da área do município. Somente o Parque Nacional ocupa uma área de aproximadamente 12.000 hectares, dos quais 2.000 hectares são referentes à Fazenda Liberdade, que pertenceu ao Dr. Mauro Barreira de Alencar, que em vida sempre se preocupou em preservar a área que hoje denomina-se, em sua homenagem, Mata Dr. Mauro, e que faz parte da unidade de conservação.