São Ludgero (Santa Catarina): História
=== Colonização ===
O município foi colonizado por alemães vindos da Colônia Teresópolis. Os colonizadores chegaram em ca. década de 1860, provenientes da região de Münster, principalmente de Heek, que também tem Ludgero como padroeiro. Tal migração deu-se a partir de 1873, principalmente devido à baixa fertilidade do solo do local e ao abandono por parte do governo.
O atual território da cidade foi determinado pelo então pároco da comunidade, Padre Roer, que em uma de suas visitas a diversas comunidades nos arredores de Teresópolis encontrou um local em que a terra parecia ser mais fértil que a de sua comunidade, por informação de Luís Martins Collaço. Como as terras pertenciam ao dote da então princesa Isabel, enviaram uma solicitação ao governo imperial pedindo a posse de tal localidade. Depois de algum tempo veio a resposta positiva, e então migraram para o novo desafio.
No início não havia nenhuma infraestrutura, havia apenas trilhas e muita mata a ser derrubada para dar espaço às roças. A única distração de que os colonos dispunham eram as missas, de onde tiravam forças para seguir em frente. Suas habitações a princípio não passavam de cabanas de palha.
Os atuais distritos de Barra do Norte (São Ludgero) e Ilhota (Orleans) foram as primeiras terras efetivamente ocupadas no vale do Braço do Norte, por duas famílias que obtiveram grandes extensões de terra, ca. 1840: as sesmarias de Rabello e dos Mirandas. No Arquivo Nacional, documento 54 da caixa 1148, lavra de João Leonir Dall'Alba, consta: "Terra do Rabello". A primitiva concessão, na foz do rio Braço do Norte com o Tubarão, limitava-se com estes rios. Subia o Tubarão, até alcançar a linha Miranda, e o Braço do Norte, até o rio Mar Grosso. Em 1860 já fora subdividida entre herdeiros: na Barra do Norte, Francisco Rabello Vieira. Seguia-se-lhe, Tubarão acima, José Antônio Amorim, Manuel Pereira Gomes, Ana Carolina de Figueiredo, Ana Garcia e Manuel Domingos de Oliveira. Em frente, na outra margem, morava Marcos Fernandes.
Antes porém, em 1807, uma sesmaria tinha sido concedida a José de Souza Pacheco, na margem direita do rio Tubarão, na região do atual Pindotiba.
O nome deve-se a Ludgero, um santo guerreiro muito popular entre o povo da região da Vestfália. Ludgero nasceu em Zuilen próximo a Utrecht, Países Baixos. Foi um missionário, seguidor de São Bonifácio, fundador da Abadia de Werden e o primeiro bispo de Münster. Dentre outros milagres, o mais importante sem dúvida alguma é o que ocorreu na região de Münster, por volta do ano 800. Neste momento houve uma praga de gansos cinzas, que comiam as plantações. Segundo a história, São Ludgero os expulsou da região e, por isso, o santo é representado com gansos entre os seus pés.
A emancipação política ocorreu em 12 de junho de 1962, tendo como primeiro prefeito Daniel Brüning. A área de terra que hoje é São Ludgero desmembrou-se de Braço do Norte, mas era pequena. Para que o município tivesse a extensão atual, foi necessária uma manobra política, onde forçou-se também a emancipação de Colônia, que ia da Barra do Norte até o Rio Cachoeirinhas. Emancipadas as duas localidades, logo ocorreu a fusão de Colônia com São Ludgero, resultando no território atual do município.