Várzea Nova: História
=== Ocupação originária por povos indígenas ===
As áreas que compõem o contemporâneo município de Caém faziam parte no passado do chamado Sertão das Jacobinas, a qual era ocupada por diversos povos indígenas desde tempos imemoriais. Com a intensificação da colonização portuguesa sobre o território, a população indígena remanescente acabou sendo agrupada em diversas missões franciscanas estabelecidas na região, como a Missão de Nossa Senhora das Neves do Sahy (em território atualmente pertencente ao município de Senhor do Bonfim), fundada em 1697, e a Missão do Bom Jesus da Glória, fundada em 1706.
Nesse período de despovoamento da região entre os séculos XVII e XIX em razão do aldeamento da população indígena remanescente pelos franciscanos ou expulsão dos indígenas que se recusaram a se aldearem nas missões religiosas, ocorreu o estabelecimento de propriedades latifundiárias de grandes proporções, sendo um território ignorado pelas instituições governamentais do período colonial e do Império.
A partir de 1913, de acordo com a história oral, ocorreu a ocupação contemporânea das áreas que formariam o município de Várzea Nova com o estabelecimento de famílias de posseiros oriundos da Chapada Diamantina no território, como ocorreu com a chegada da família de Zacarias Domingos de Jesus, oriunda da Fazenda Cercadinho, situada no município de Morro do Chapéu, que teriam emigrado para fugir de uma epidemia de sezão (nome popular na região para a malária), e também da família de José Botafogo, oriunda do distrito de Riachão de Utinga, situado no município de Utinga.
Após o estabelecimento das famílias Domingos de Jesus e Botafogo no território, estas terras começaram a receber famílias de imigrantes de filiação religiosa protestante presbiteriana, que passaram a residir e desenvolver uma agricultura de subsistência na região.
A construção pelo Governo do Estado da Bahia da rodovia BA–426 na década de 1940, uma estrada projetada e construída para conectar este sítio populacional com a cidade de Morro do Chapéu, buscando oferecer uma infraestrutura viária que atendesse ao transportes dos moradores da região que dependiam para seu deslocamento de estradas vicinais que ligavam Várzea Nova com as cidades de Morro do Chapéu, Miguel Calmon e Jacobina, impactou significativamente no desenvolvimento do povoado.
A rodovia estadual BA-426 proporcionou o transporte de pessoas e mercadorias da localidade de Várzea Nova, colocando o povoado na rota de deslocamento de pessoas e bens da região de Irecê, o que contribuiu com o comércio local, além de ter proporcionado, a partir da década de 1950, o escoamento de produtos agrícolas oriundos do cultivo de Agave (uma espécie de sisal), plantação iniciada pelo agricultor e religioso protestante Otacílio Alcâncara, cultura agrícola que constituiu uma fonte de renda na economia local. …