Mar de Espanha: História
Em meados do século XIX, diversos garimpeiros estabeleceram-se na região. Principalmente pelo fato das terras férteis desta localidade serem abundantes. O português Antônio José da Costa e o mameluco João Maquieira foram os precursores da fundação da cidade que recebeu o nome de 'Arraial do Cágado'. Em 10 de setembro de 1815, por intermédio da lei provincial n.º 514, a localidade foi elevada à categoria de vila.
A ocupação definitiva do território se inicia no ano de 1817, por meio das sesmarias. Já nos anos 1840 a região gozava de infraestrutura consolidada para a produção cafeeira voltada para a exportação. Os irmãos Custódio Leite Ribeiro e Francisco Leite Ribeiro vão desempenhar papel fundamental nesse processo. Somente nas fazendas desses irmãos, segundo George Gardner, eram produzidas mais de vinte mil arrobas de café, além de queijo, açúcar e aguardente. O inventário dos irmãos também era volumoso: 228 escravos e mais de mil contos de réis em seu monte líquido. Francisco também abriu, em 1823, comunicações diretas da cidade à Província do Rio por barca e trilha, além de uma trilha que conectava Mar de Espanha, São João Nepomuceno (então município ao qual estava subordinada) e Rio Novo a Ouro Preto, na década de 1840, e planejou uma estrada que ligasse a localidade até Feijão Cru, hoje Leopoldina.
Este desenvolvimento inicial proporcionou um rápido processo de elevação de vila a município, evidenciando um acelerado amadurecimento econômico que a localidade passou, além da presença de uma elite social consolidada, buscando seus próprios interesses. A cidade também passou a receber muitos imigrantes a partir do fim do tráfico negreiro em 1850 (especialmente alemães e italianos). Até hoje o local é considerado como um importante centro de preservação da memória italiana. O crescimento da localidade foi tal que, em 27 de junho de 1859, Mar de Espanha torna-se município.
A partir deste período, foram achados depósitos de calcário, feldspato e caulim. Com a migração dos centros cafeeiros para o Oeste paulis, a produção cafeeira da cidada começou a diminuir, sofrendo fortemente, por fim, os efeitos da Crise de 29. A partir de então, o calcário tornou-se a principal extração, vendido como corretivo de solo, além disso, a pecuária leiteira também passou a ganhar força neste período. Posteriormente, na década de 1950, também se populariza na localidade a lapidação de diamantes, majoritariamente financiada por investidores belgas. O Plano Real, porém, motivou a substituição das lapidações pelas fábricas de malharias, que permanecem até a atualidade como principal vetor de crescimento econômico do munícipio, sendo responsável por quase metade dos postos formais de trabalho locais.