Pinheiro Machado (Rio Grande do Sul): História
=== Origens e povoamento ===
A ocupação de seu território teve início por volta de 1765, com a atuação do brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, militar português que se destacou na retomada dos territórios missioneiros para a Coroa Portuguesa e na luta contra os espanhóis. Anos mais tarde, em 1787, o cabo José Maria Rodrigues (conhecido como "Corrupiu"), subordinado a Rafael Pinto Bandeira, passou a possuir terras na região que viria a ser chamada de Cacimbinhas. Em 1790, chegaram os primeiros colonos açorianos, que receberam sesmarias na Coxilha do Velleda: Thomaz Antônio de Oliveira (também chamado de Nico) e José Dutra de Andrade. Até 1830, a região pertencia ao município de Rio Grande. Com a emancipação de Piratini em 15 de julho de 1830, o território passou a integrar o novo município.
O município foi originalmente povoado em meados do século XIX em uma região de vastos banhados e falta de córregos superficiais, o que obrigava os moradores a cavar cacimbas (poços rasos) em busca de água subterrânea. Segundo a tradição local, o fazendeiro José Dutra de Andrade, que havia perdido a visão, prometeu erguer uma capela a Nossa Senhora da Luz caso recuperasse a vista ao lavar-se com a água de uma das cacimbas. Curado, cumpriu a promessa e, em sociedade com seu vizinho Antônio (Nico) de Oliveira, doou o terreno para a construção da capela, dando origem ao curato de Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas, criado em 1851. A freguesia foi elevada à categoria de vila em 1878 e instalada no ano seguinte sob a denominação de Cacimbinhas. O município foi criado, desmembrado de Piratini, pela Lei Provincial nº 1.132, de 2 de maio de 1878. Na divisão administrativa referente ao ano de 1911, o nome do município já constava como Cacimbinhas.
Em 8 de setembro de 1915, o senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado com uma punhalada no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro. O autor do crime, Francisco Manço de Paiva Coimbra, embora natural de Jaguarão, havia vivido algum tempo em Cacimbinhas. O fato manchou a reputação da cidade, e o intendente provisório, Ney de Lima Costa, decidiu mudar o nome do município para "redimi-lo" da associação com o assassino. Pelo Ato Municipal nº 30, de 30 de outubro de 1915, Cacimbinhas passou a denominar-se Pinheiro Machado. O intendente justificou a medida afirmando que o nome "Cacimbinhas" era "irrisório" e "nada significa na tradição histórica deste município". A mudança, no entanto, gerou forte reação popular, com parte da população se revoltando contra a imposição. O conflito chegou a provocar enfrentamentos armados entre facções políticas locais e culminou na destituição do intendente, mas a alteração jamais foi desfeita. Até hoje, a troca é motivo de controvérsia, com muitos moradores ainda demonstrando afeto pelo nome original, "Cacimbinhas".