Capitão de Campos: História
De acordo com as pesquisas arqueológicas mais recentes, o território do atual Estado do Piauí é habitada por grupos humanos há muitos milênios. O início dessa ocupação teria ocorrido entre 50 mil ou mesmo 100 mil anos atrás, segundo as datações obtidas em diversos sítios arqueológicos localizados no Parque Nacional Serra da Capivara, como o Toca do Boqueirão da Pedra Furada, Sítio do Meio e Tira-Peia. Ainda que objeto de bastante discussão entre os especialistas, tais sítios apresentam vários painéis de grafismos rupestres e antigas fogueiras, instrumentos líticos (ferramentas de pedra), enterramentos humanos e até material cerâmico de grupos indígenas mais recentes.
Embora não se saiba exatamente o período em que foram produzidos, em Capitão de Campos há dois sítios arqueológicos com grafismos rupestres: Pedra dos Letreiros I e Pedra dos Letreiros II. Testemunhos dos primeiros ocupantes dessa região, estes sítios estão localizados em abrigos sob rocha nas imediações do riacho Jacu. Esses sítios foram classificados pelos arqueólogos como pertencentes à Tradição Geométrica, apresentando pinturas esquematizadas de lagartos e mãos humanas – todas em vermelho. –, sendo eventualmente visitados tanto por moradores do município quanto por turistas
Destaca-se ainda a proximidade em relação ao Parque Nacional de Sete Cidades, localizado a menos de 50 quilômetros do município de Capitão de Campos. Nele se encontram diversos painéis de grafismos rupestres (pássaros de asas abertas, carimbos de mãos, lagartos e figuras antropomorfas em tons de vermelho e amarelo) produzidos entre 6.000 e 2.000 anos atrás. Por sua vez, grupos indígenas agricultores e ceramistas, teriam chegado à região setentrional do Piauí nos últimos 3.000 anos, conforme datações obtidas no sítio arqueológico Seu Bode, localizado no município de Luís Correia.
O centro-norte do atual território piauiense era habitado por diversos grupos indígenas quando da chegada dos primeiros colonizadores portugueses, uma vez que constituía um verdadeiro corredor de passagem para os que transitavam entre os atuais Maranhão, Bahia, Ceará e Pernambuco. Os Tobajara (também conhecidos como Tabajara) e Potiguara, falantes de um idioma relacionado ao tronco linguístico Tupi-Guarani, habitavam boa parte da região, havendo também relatos da presença dos Tacarijú, Quitaiaú e Ocongá durante o século XVII. Sobre os Tacarijú (também conhecidos como Tacariú), teriam sido aliados dos franceses e inimigos dos Tobajara, sendo também conhecidos por seu nomadismo e endocanibalismo. Todavia, as poucas informações disponíveis a respeito dos primeiros contatos entre europeus e ameríndios na região, bem como a atribuição de nomes equivocados a grupos étnicos distintos em termos geográficos e temporais, dificulta bastante o detalhamento do contexto indígena desse período. Com efeito, termos como "tobajara" e "potiguara" poderiam ser categorias classificatórias de grupos tupi, definindo relações de aliança ou inimizade entre estes
Os primeiros dois séculos de ocupação portuguesa das terras setentrionais piauienses se desenvolveram de forma bastante esparsa, sendo que a área do atual município de Capitão do Campo pertencia à Capitania do Piauí. O naufrágio de uma esquadra formada por dez embarcações, em março de 1536, em local atualmente conhecido como Parcel de Manuel Luís, frustrou um dos maiores esforços colonizadores lusitanos na América Portuguesa do século XVI. …