Érico Cardoso: História
Originalmente habitada por indígenas tapuias, o território de Érico Cardoso começou a ser colonizado entre 1715 e 1720, com a descoberta de jazidas de ouro nos arredores do Morro do Fogo, o que trouxe para a região desbravadores portugueses, paulistas e mineiros. Estes colonizadores criaram suas fazendas e se dedicaram, além da mineração, à agricultura e pecuária. Nestes primórdios, surgia o Arraial do Morro do Fogo, hoje no município de Érico Cardoso, o mais antigo da Bacia do Paramirim.
O Morro do Fogo teve um grande crescimento por volta de 1840, quando um grupo de mineradores de Rio de Contas deixou as decadentes minas auríferas desta cidade para migrar para esse povoado érico-cardosense. Consequentemente, em 29 de maio de 1843, a resolução provincial n° 200 elevou a capela de Nossa Senhora do Carmo no Morro do Fogo à categoria de sede da Freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Morro do Fogo, subordinada à vila de Minas do Rio de Contas.
Em meados do século XIX, o ouro do Morro do Fogo se esgotou. Com isso, os antigos mineradores deixaram o povoado, passando a se dedicar à agricultura e à pecuária em fazendas na região. Nessa época, surgiu, na fazenda do Coronel Liberato José da Silva, o Arraial de Água Quente (hoje a sede municipal de Érico Cardoso), cujo nome se deve às águas termais ali presentes, que, junto com o comércio e a agropecuária, fizeram o povoado rapidamente se desenvolver. Com isso, por meio da Resolução provincial n° 1460, de 23 de março de 1875, a sede da Freguesia do Morro do Fogo foi transferida para esse Arraial.
Graças à luta sobretudo do Padre João Paranhos da Silva, vigário do Morro do Fogo, a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Morro do Fogo foi elevada à categoria de vila, com o nome Industrial Vila de Água Quente, por meio da Lei provincial n° 1849, de 16 de setembro de 1878. No entanto, em um primeiro momento, devido à rivalidade entre o Coronel Liberato e o Padre Paranhos, a vila não chegou a ser instalada e foi extinta por meio da Resolução provincial n° 2.175, de 20 de junho de 1881, sendo reincorporada a Minas do Rio de Contas. Um ato estadual de 24 de março de 1890 restaurou a autonomia da Industrial Vila de Água Quente, sendo instalada em 23 de maio do ano seguinte, com a posse do primeiro intendente, o Cel. Antônio José Cardoso.
Por meio da Lei estadual n° 460, de 16 de julho de 1902, a sede da vila foi transferida para o Arraial do Ribeiro (atual sede de Paramirim), pois este estava em fase de maior desenvolvimento e por estar melhor localizado geograficamente do que Água Quente.
Em 1909, a vila de Água Quente se tornou o município de Paramirim, em cujo território foi criado, no mesmo ano, o distrito de Água Quente, constando pela primeira vez em uma divisão administrativa em 1911, época em que esteve envolvido em disputas políticas locais.
Em 5 de junho de 1962, a Lei Estadual nº 1659 desmembrou o distrito de Água Quente de Paramirim e o elevou à condição de município, sendo instalado em 7 de abril do ano seguinte, data em que se comemora o aniversário municipal.
Em 15 de julho de 1985, a Lei Estadual nº 4483 renomeou o município de Água Quente para Érico Cardoso, em homenagem ao seu primeiro prefeito.
Atualmente com cerca de 11 mil habitantes, dos quais apenas cerca de 20% residem na zona urbana, Érico Cardoso é o município mais rural da Bacia do Paramirim, com uma população em declínio nos últimos anos.[carece de fontes]?