Cristina (Minas Gerais): História
Na segunda metade do século XVIII, com os sinais de esgotamento de ouro em vilas mineradoras de Minas Gerais como Ouro Preto, Mariana, Sabará e São João del-Rei, muitos mineradores se fixaram no sul do estado, atraídos pela possibilidade de existência de ouro na região e pela fertilidade das terras.
O Sertão da Pedra Branca (nome original da região) começou a ser desbravado a partir de 1797, quando surgiram 22 sesmarias. A primeira sesmaria foi concedida a João de Souza Portes em 6 de novembro de 1797 no local denominado Barra Mansa; no mesmo ano foram concedidas as sesmarias do Pitangal, pertencente a João Fernandes da Silva, e do Urutu, de propriedade de Manoel Cardoso de Menezes. Em 22 de maio de 1798, Domingos Rodrigues Simões e sua esposa Inês Monteiro de Alvarenga receberam meia légua na paragem chamada Comquibios (variação da palavra latina cumquibus, que significa riqueza). Foram estes os primeiros moradores das paragens às margens do rio Lambari, que derrubando matas edificaram as primeiras sesmarias, que na realidade eram fazendas dedicadas a agricultura, haja vista a fertilidade dos terrenos encontrados. Um pouco mais tarde, por volta de 1810, foi edificada uma ermita em louvor a Nossa Senhora da Glória no atual município, pelo padre açoriano José Dutra da Luz, que já fora vigário de Pouso Alto, cujos sobrinhos formam alguns dos principais troncos familiares da região.
Em 1817, já existia um pequeno arraial na sesmaria de "Comquibios", quando alguns de seus habitantes solicitaram à Diocese de Mariana uma autorização para a construção de uma capela em louvor ao Divino Espírito Santo, que já estava edificada por voltas de 1820 e era subordinada eclesiasticamente à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Pouso Alto e consequentemente ao Curato do Carmo (atual Carmo de Minas). A construção do templo deveu-se aos esforços de Manoel Machado de Vasconcelos e seu irmão Agostinho Machado, proprietários da sesmaria do Pitangal.
Assumindo a Diocese de Mariana, em 1820, o bispo Dom Frei José da Santíssima Trindade, viajando pela Comarca do Rio das Mortes em suas visitas pastorais no ano de 1824, designou a ida de um sacerdote à Capela do Espírito Santo em Cumquibus, para a administração de crismas. …