Mariluz: História
=== Pré-história ===
A região de Mariluz, cidade interiorana do estado brasileiro do Paraná, vem sendo habitada pelo homem há milhares de anos. Os primeiros a percorrê-la foram grupos de caçadores-coletores, de tradição Umbu, que deixaram diversos vestígios na região sob a forma de pré-cerâmicos caracterizados, principalmente, pela grande presença de pontas de projéteis. A ocupação destas populações foi tanto em abrigos, sempre que os mesmos estivessem naturalmente disponíveis, como a céu aberto. Existem sítios multifuncionais com reocupação relativamente frequente, sendo alguns, somente estações de caça. Geralmente estão localizados próximos a arroios, rios, banhados ou lagoas. Os artefatos líticos típicos seriam pontas de projétil pedunculadas, triangulares, foliáceas, de formas e dimensões variadas, lascas, raspadores, furadores e percutores, aparecendo ainda talhadores, buris, grandes bifaces, lâminas polidas de machado, polidores e picões. Trata-se de uma indústria sobre lascas, onde a matéria-prima mais utilizada é o riolito, seguido pelo silexito, basalto, arenito silicificado e quartzo cristal. As pontas de projéteis evidenciam retoques por pressão, sendo que estes retoques também aparecem em raspadores e facas. Ainda ocorrem furadores, bifaces, talhadores e plainas, além de grande quantidade de microlascas.
Além disso, a região era cortada por um caminho indígena, rico em ramais, denominado Peabiru, que também era utilizado pelos conquistadores europeus, como Aleixo Garcia em 1524, Cabeza de Vaca em 1541 e Ulrich Schmidl em 1552.
==== Surgimento da Vila ====
O surgimento da vila que originou Mariluz é controverso, mas pode-se enumerar uma série de fatores que contribuíram para isso. A partir do final da década de 1940 e início da década de 1950, verifica-se os relatos da presença mais constante de atividades econômicas sendo desenvolvidas onde hoje se situa o município. Trata-se, no entanto, de ações isoladas de exploração florestal e a abertura de fazendas e estradas na densa mata, sem qualquer menção a assentamentos populacionais com atos de urbanização.
Entre 1951 e 1952 instaura-se as primeiras fazendas destinadas ao cultivo de café. Nessa mesma época, Francisco Antônio da Silva chega a região e, no ano seguinte, auxiliado por José Alfredo de Almeida, organiza a Colonizadora Mariluz, empresa constituída para que se colocasse em prática a ideia de fundar uma cidade. Após a demarcação do loteamento, a empresa pôs-se a vender os lotes urbanos e rurais a, na grande maioria, marilienses que vieram para a região com o intuito de plantar café. O trabalho de organização espacial da cidade contou com a ajuda do agrimensor Laudelino Rosa de Mello e a administração geral do processo de venda de lotes ficou a cargo de João da Silva Lavandeira.
O solo fértil e os ganhos fáceis obtidos da cultura cafeeira permitiram o crescimento rápido do núcleo urbano inicial. Em 1955, foi instalada a primeira serraria da cidade de propriedade de uns dos fundadores o senhor Abel de Oliveira que no ano seguinte já contava com diversos estabelecimentos comerciais, em especial a Agroindustrial Mariluz de propriedade de José Alfredo de Almeida. …