Bom Jesus da Serra: História
As terras que atualmente formam o Município de Bom Jesus da Serra integravam, originalmente, o território do Município de Poções. Inicialmente pertencentes ao capitão Timóteo Gonçalves da Costa, passaram, após sua morte, aos filhos Bernardo Roberto e Timóteo Filho. Bernardo Gonçalves da Costa destacou-se pelo empenho no povoamento do Arraial dos Poções. Posteriormente, as terras conhecidas como Bom Jesus de Baixo tiveram como proprietários Daniel Ferreira da Costa e Vicência Ferreira Campos, que as venderam ao capitão Raimundo Pereira de Magalhães. Em seguida, foram herdadas por descendentes que se dedicaram ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária.
Na sede da fazenda e em seu entorno, surgiram casas de moradia e de comércio, além de capela e cemitério. Os fundadores promoveram o loteamento de áreas e incentivaram parentes e amigos a construírem residências na localidade. Entre os primeiros moradores destacaram-se membros da família Meira, além das famílias Moreno, Moreira do Carmo e Amaral. O comércio local ganhou impulso com a criação de uma feira livre, onde produtores rurais comercializavam lacticínios, carnes, mamona, milho, feijão, farinha de mandioca e outros gêneros, muitos dos quais eram enviados para Poções.
Na década de 1930, a descoberta de uma mina de amianto trouxe grande transformação econômica à região. A exploração, única no Brasil à época, perdurou por cerca de três décadas, produzindo milhões de toneladas de lã de amianto, parte delas exportada inclusive para a França. Na década de 1940, foi instalada uma usina de beneficiamento de caroá, planta abundante na caatinga, utilizada na produção de cordas e barbantes destinados a Salvador. Com a desativação da usina em 1945, iniciou-se um período de decadência econômica. A feira semanal foi extinta e transferida para a Fazenda Bomfim do Amianto. Pouco depois, também foi encerrada a exploração da mina de amianto, em razão dos graves problemas de saúde ocasionados à população local.