Campo Novo de Rondônia: História
As terras que compõe o atual território municipal de Campo Novo de Rondônia teriam sido atravessadas pelo marechal Cândido Rondon, nas expedições que realizou nos primeiros anos do início do século XX, abrindo picadas no meio da floresta amazônica com ribeirinhos locais.
A descoberta da cassiterita em 1952 em um seringal situado no Território do Guaporé (atual Estado de Rondônia) provocou o surgimento de uma grande quantidade de novos garimpos que foram se espalhando por todo o território a partir da década de 1950. As centenas de garimpos instalados extraíam ouro, diamante, cassiterita e, pedras preciosas como topázio, ametista, columbita e wolframita.
Em 1956, o Território do Guaporé tem seu nome mudado para Território de Rondônia com o garimpo estando em plena ascensão. Nas décadas seguintes, em razão das iniciativas de colonização da Amazônia impostas pela Ditadura Militar de 1964, com destaque para as ações do INCRA combinadas a atuação de empresas mineradoras, apoiadas pelo Governo Militar, que passaram a praticar ações de violência, assassinatos e expulsão de indígenas autóctones de suas terras originais, iniciou-se uma mudança no panorama demográfico e sociocultural da região.
Assim, graças ao grande fluxo de migrantes de várias partes do Brasil para se estabelecer nas novas colônias que estavam sendo implantadas para se empregarem em atividades de mineração ou na agropecuária, começam a surgir novos núcleos populacionais por todo o Território Federal.
A partir de 1969, quando o Governo Federal estava sob o Regime Militar e o Território Federal de Rondônia passa a ser administrado pelo coronel do Exército João Carlos dos Santos Mader, nomeado quatro anos antes pelo presidente marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e mantido pelo presidente militar seguinte, o general Costa e Silva, os governantes militares decidiram substituir o modelo de extração mineral baseado na garimpagem de lavra manual pelo modelo de mineração industrial por meio da lavra mecanizada.
Em 1970, durante o governo do presidente militar, general Emílio Médici, o ministro das Minas e Energia, Antônio Dias Leite, expediu a Portaria nº 195 que proibiu a atividade de mineração por lavra manual, exigindo que a extração mineral deveria ser por lavra mecanizada, o que fez com que essa atividade fosse transferida para poderosas empresas nacionais e estrangeiras, como a multinacional BRASCAN (Brasil-Canadá), e o nacional Grupo Paranapanema.
A expulsão dos garimpeiros das lavras em aluviões que passaram a ser ocupados pelo maquinário das grandes empresas mineradoras criou uma crise social na época pelo desemprego gerado entre os garimpeiros.
Assim, o início da década de 1970 foi marcado pelo fato de uma parcela dos garimpeiros passar a viver nas novas cidades rondonienses em situação de vulnerabilidade econômica, enquanto outros insistiram na clandestinidade do garimpo ilegal.
O município de Campo Novo de Rondônia surgiu a partir de um garimpo de cassiterita que formou um núcleo populacional permanente de garimpeiros e agricultores, e de um campo de pouso de aviões de pequeno porte, especialmente após a implantação em 1976 da mina de "Campo Novo".
No final da década de 1970 a região novamente é impactada com a criação, em 1979, durante o Governo militar do general João B. Figueiredo de Oliveira, no qual houve a criação do Parque Nacional dos Pacaás Novos. …