Tombos: História
A região onde se encontra atualmente o Município de Tombos, na Zona da Mata Mineira, estava no século XVIII, incluída na jurisdição da Vila do Ribeirão do Carmo, atual Mariana. Apesar da proximidade com a costa, a ocupação não se fizera. Durante o ciclo do ouro, a inexistência do metal na área, a restrição imposta pela administração colonial à ocupação de espaços não povoados, com o intuito de combater os possíveis descaminhos do ouro, a barreira natural formada de matas impenetráveis e de tribos indígenas e a política do Reino de Portugal que visava impor a especialização produtiva na extração do ouro teriam sido os motivos norteadores do povoamento tardio.
A história da cidade começa ainda no começo do século XIX, quando o abastado Coronel Maximiano José Pereira de Souza, foi o primeiro conhecedor do lugar, cujo panorama era composto por um rio a deslizar entre montanhas e matas virgens, recebendo um afluente à sua margem direita. O Coronel com seus familiares escravos e amigos, fixaram-se neste local, dando início ao pequeno povoado. As terras existentes na região eram habitadas por tribos de índios nativos, dentre eles os Puris e Tupinambás.
Maximiano José Pereira de Souza havia herdado terras que sua família adquiriu no final do século XVIII com direito de posse adquirido por carta de sesmaria de 1811. Por volta de 1830, era proprietário das terras onde hoje se acha implantada a Fazenda da Fortaleza de Sant'Anna (atualmente inclusa a Goianá) e que pertencera também à Baronesa de Santana, mãe de Mariano Procópio. Suas terras, em 1847, encontravam-se dentro dos limites do município de Barbacena.
Com o correr dos anos e o desenvolvimento natural das lavouras ali iniciadas formou-se pequeno núcleo populacional. Mais tarde outros povos oriundos de diversas localidades colonizaram o município implantando ali suas culturas: Espanhóis, Portugueses, Alemães e Italianos, despertando também interesses de colonos europeus, que alojados em terras próximas, já ouviam notícias da fertilidade das terras e da grande extensão das matas. Imigraram também, famílias sírias que se estabeleceram comercial e industrialmente.
No texto da escritura de doação de terras destinadas à formação do Patrimônio de Nossa Senhora da Conceição, feita em 1849 e passada em 1855, os doadores Maximiano José Pereira de Souza e sua esposa Maria Cândida de Jesus, citam como confrontantes dessas: Domingos José de Barros, Joaquim Francisco Porto, Manuel Antônio Ferreira, Máximo Valadares e Manuel Pacheco. Estes podem ser apontados como os primitivos habitantes do lugar. A agricultura foi o fator dominante de ocupação do território, ocorrida na década de 1840 e, em 1849, já existia o povoado. Em 02 de novembro de 1856 teve lugar na Matriz de Nossa Senhora a 1.ª Eleição para Eleitores Especiais da região.
Administrativamente, Tombos pertenceu primitivamente à Paróquia de Nossa Senhora da Glória, do Município de Presídio (atual Visconde de Rio Branco), conforme o disposto em documentos de 1850. No dia 21 de maio de 1852, através da Lei nº 605, foram elevados à condição de paróquia os curatos de Nossa Senhora da Conceição dos Tombos em Carangola, juntamente com São Paulo do Muriahé. Este evento significativo marcou a criação do distrito de Tombos e a data é ainda celebrada como aniversário da cidade.
Nas próximas décadas, mantendo a denominação de Nossa Senhora da Conceição dos Tombos do Carangola, ficaria subordinado à Freguesia de São Paulo do Muriaé. …