Muribeca: História
Nascido com o nome de Sítio do Meio, o município de Muribeca, a 72 quilômetros de Aracaju , desenvolveu-se economicamente, mas depois literalmente parou no tempo. A população chegou a dispor de engenho, alambiques e olarias para trabalhar, e até de quatro cinemas para o lazer. A cidade, antes bastante promissora, com a rede ferroviária passando ao lado, hoje encontra-se praticamente sucateada, mas, segundo os otimistas, com uma esperança de recomeço. Hoje, em seu desenvolvimento econômico, Muribeca conta com apenas uma fábrica de laticínio que podemos considerar como um minúsculo fio de crescimento para o município.
As terras de Muribeca faziam parte da área que Cristóvão de Barros, conquistador de Sergipe, deu em 1590 a seu filho, Antônio Cardoso de Barros, através de sesmaria. Elas foram compradas por João Batista de Almeida Figueiredo, onde ele construiu o primeiro prédio do lugar - uma pequena capela. Tempos depois ela deu lugar à primeira Igreja Matriz da cidade, sendo escolhido como padroeiro Nosso Senhor da Misericórdia, louvado todo dia 1º de janeiro. Mas foram os filhos de João Batista de Almeida, Manoel Almeida Figueiredo e Francisco Xavier de Figueiredo, que tiveram participação mais destacada na povoação de Sítio do Meio, localidade pertencente na época a Propriá.
Uma informação enciclopédica destacada por Tibiriçá (1985) merece menção. Segundo ele, Muribeca é "nome de várias localidades (Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Pernambuco); não é nome tupi; Teodoro Sampaio traduz por mosca importuna; não lhe ocorreu que por este nome é o apelido familiar do célebre Belchior Dias Môrea, o Maribeca, descobridor das minas de prata; moribeca é diminutivo carinhoso de Môrea" (TIBIRIÇÁ, 1985, p. 88). O histórico do IBGE (2019) para o município não remete a esse colono, listando personalidades como Cristóvão de Barros, seu filho Antônio Cardoso de Barros, além de relatar que, "em data não apurada, o povoado originou-se nas terras adquiridas por João Batista de Almeida Figueiredo, que edificou uma pequena capela como primeiro prédio, entretanto tiveram atuação mais destacada na fundação do povoado, seus filhos Manoel Almeida Figueiredo e Francisco Xavier de Almeida Figueiredo que permitiram a construção das primeiras casas, onde se originou o primeiro arruado da então localidade Sítio do Meio" (IBGE, 2019)Cumpre, em estudos posteriores uma incursão acerca da participação do bandeirante Belchior Moreira (1540-1619), que teve intensa participação na colonização do território sergipano, como expõe Nogueira (2018): "Affonso d'Escragnolle Taunay assim se refere a Belchior Dias Moreia no vol I da "História Geral das Bandeiras": "No Ciclo Sergipano, aliás muito restrito, há a notar a longa expedição de Belchior Dias Moréia, neto de Caramuru e, segundo Jaboatão, primo de Gabriel Soares de Sousa." Belchior Dias Moréia tinha boa experiência como sertanista, pois participara, de 1587 a 1590, da expedição de Cristóvão de Barros para a conquista de Sergipe. Com isso, será possível constatar ou refutar o argumento aventado por Tibiriçá (1985). (SANTOS, César Alexandre Neri).
“O célebre Belchior Dias Môrea, o Maribeca, era neto de Caramuru e Catarina Paraguaçu e participou da conquista de Sergipe com Cristóvão de Barros”(ANDRADE, D).
Em 1897, Sítio do Meio já era um próspero povoado, mas sua evolução político-administrativa só teve início em 7 de novembro de 1921, quando foi criado o distrito de paz ainda com a mesma denominação. …