Guatapará: História
O município de Guatapará começou a ser concebido em 1865, quando Martinho Prado da Silva Júnior, conhecido como Martinico Prado, criou uma avançadíssima fazenda de café que levou o nome de um gracioso e pequeno mamífero que existia em abundância na região: o veado-guatapará.
A história registra que apesar dos mais de seis mil alqueires de terra, o café era cultivado em 260 alqueires. Mesmo assim, a fazenda estava inserida entre os maiores produtores do grão no Estado.
Plantava-se também muito cereal e cana-de-açúcar. A fazenda tinha 56 empregados brasileiros e 1.610 imigrantes em 452 casas. A ideia de Martinico Prado era desenvolver a criação de uma cidade, que se chamaria Vila Albertina, o nome de sua esposa.
“A fazenda era um portento”, diz Wilson Montanheiro, 79 anos, o autor do hino do município, e grande conhecedor dos primórdios de Guatapará. Segundo ele, o nome de Vila Albertina só não pegou, em razão da existência de um porto, também chamado Guatapará, único meio de acesso à região. A fazenda produzia café e era uma “cidade”; tinha cinema, dentista, médico e um palacete.
Em 1901, quando a Companhia Paulista de Estradas de Ferro assentou trilhos na vila – a Paulista ligava Barretos a São Paulo, com baldeação em Araraquara – sacramentou-se o nome de Guatapará. Segundo Montanheiro, é provável que naquele ano a vila já reunisse mais de dois mil habitantes.
Em um dos sites sobre a história de Guatapará (assinado por Eduardo Vieira), consta que, no começo, a vila tinha uma farmácia com remédios, alguns importados da Itália, e antissépticos. O responsável era Joaquim Miranda Alves. O único médico era o dr. Guizzo, italiano formado em Nápoles.
Havia também uma escola ítalo-brasileira, um comércio de alimento, mercearia, leiteria, hotel, igreja e o cemitério. A população era de 2.074 almas, 1.162 de nacionalidade italiana, 111 brasileiras, 301 de outras nacionalidades. Só tinha um problema: não se conseguia chegar facilmente a Ribeirão Preto.
Em 1905, quando circulou pela primeira vez, a preocupação manifesta dos moradores de Guatapará “no sentido de o quanto antes estabelecer uma via rápida de comunicação entre a cidade e aquele futuroso bairro”.
É que já a partir de 1910, os moradores de Guatapará usavam a Companhia Paulista, via Barrinha, para chegar a Ribeirão. Inclusive, encomendas eram despachadas por trem. A chegada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e a construção da ponte metálica sobre o rio Mogi-Guaçu (ereita em 1901) marcaram uma etapa decisiva do desenvolvimento de Guatapará, integrando a localidade às redes regionais de transporte e possibilitando o escoamento da produção agrícola. Em 1913–1914, entendimentos entre a Paulista e a Mogiana levaram à instalação de um ponto de entroncamento/estação em Guatapará, que funcionou como elo logístico até o fechamento do ramal nas décadas finais do século XX. A ponte, cujas placas e imagens indicam fabricação pela Phoenix Bridge, permanece como testemunho material desse processo. Registros sobre funcionários e pioneiros (nomes apontados em tradições orais, como membros da família Cardoso). …