Pedro Gomes: História
Os bravios índios Caiapós habitavam uma vasta região do Brasil, mais especificamente em Mato Grosso e Goiás. Foram os primeiros habitantes de Pedro Gomes, desde as margens do Alto Piquiri, do rio Correntes, e do Taquari, todos em território pedrogomense. Gervásio Rebelo Leite, em 1626, conta-nos que os Caiapós ocupavam a margem direita do rio Paraná e eram o pior gentio daqueles sertões. No livro Pai Pira, Marlei Cunha relata a presença dos Caiapós, noticiada por cronistas do século XVIII. Usavam os Caiapós a incendiar a macega para tentar fazer perecer os brancos. O único meio de defesa consistia no fogo de encontro para se constituir um aceiro. Cabral Carmelo, em 1727, escreve:
“No Itapura apareciam os caiapós, o mais bravio de todos os gentios”
Em Camapuã, Coxim (e também a região de Pedro Gomes) tornava-se indispensável escoltar os escravos encarregados dos transportes no Varadouro. Sem tal precaução, seriam infalivelmente agredidos pelos Caiapós. Eram as monções, ou bandeiras, que vinham de São Paulo, passavam por Coxim (Pedro Gomes, rio Itiquira, conhecido então como Ponte de Pedra) e iam a Cuiabá. Os irmãos Leme, Brás Domingues e seu irmão Pedro Leme, conhecido como o Torto, em 1719, fugidos de São Paulo, chegaram à região de Cuiabá, via Camapuã-Coxim. A região de Coxim começou a se tornar mais conhecida, quando, em 1726, ali passou D. Rodrigo César de Meneses, então governador da Capitania de São Paulo, pois, ali chegando, assinou a concessão de três sesmarias:
A primeira nos sertões do rio Taquari, em 4 de março de 1727, a favor de João de Araújo Cabral.
A segunda no rio Taquari, em 4 de abril, a favor do sargento-mor Manoel Lopes do Prado e uma outra.
A terceira no rio Taquari, a 31 de dezembro, a favor de Domingos Gomes Beliago.
Esse último, unido a Antonio de Sousa Bastos, Manoel Caetano e padres Antonio de Morais e José de Farias, em 1729, fundaram o arraial do Beliago, à margem do rio Taquari, onde hoje, à margem oposta, se assenta Coxim, com a finalidade de socorrer as monções partidas de São Paulo para Cuiabá. Os viajantes com destino a Cuiabá, no Pardo, começavam a dar o sinal de perigo dos caiapós. Eram robustos e ágeis, armados de arco e flecha e de uma clara ou bilro, que enfeitavam. Sobremodo traiçoeiros, sabiam admiravelmente dissimular a presença na floresta, por pintarem de modo a ficarem com a cor do mato. Procuravam sobretudo, atacar os pousos e acampamentos onde não havia vigilância. Cardoso de Abreu, em 1783, informa:
“No vale do Rio Pardo aos caçadores perturbavam a presença dos Caiapós, que tendo perto o seu alojamento, andavam pelos campos diligenciando supreende-los. Eram os gentios os mais tiranos, cruéis e indômitos”
No ano de 1838 aportaram os primeiros imigrantes na região. Entre eles, Antônio Teodoro de Carvalho, que se intitulava Capitão do exército reformado e que se apossou de uma extensa gleba de terras, antes ocupadas pelos índios, Caiapós e Coroados. O primeiro habitante branco que se fixou no local e de que se tem notícia, foi Antônio Teodoro de Carvalho.
O arraial de Beliago pouco se desenvolveu e o destacamento militar no Piquiri foi elevado à freguesia em 1850, sendo Beliago incluído dentro dos seus limites. Devido às condições técnicas, esse destacamento foi criado no hoje município de Pedro Gomes, no local conhecido como Ponte e Pedra, no Piquiri, antigo trajeto da Rodovia Campo Grande – Cuiabá. …