Reserva do Iguaçu: História
=== Povoamento Ameríndio Pré-Colonial ===
As evidências arqueológicas mais recentes indicam que a presença humana no atual território de Reserva do Iguaçu e seu entorno remonta a pelo menos 9.000 anos Antes do Presente, quando a região apresentava um clima mais seco e de temperaturas mais baixas do que o atual. Sítios arqueológicos como o Ouro Verde I, no município vizinho de Boa Esperança do Iguaçu, revelaram uma rica concentração de ferramentas de pedra e gravuras rupestres, sendo considerados os registros mais antigos de ocupação indígena em todo o Paraná.
Esses grupos ameríndios primitivos viviam da coleta de frutos silvestres, da pesca e da caça de animais, utilizando instrumentos confeccionados principalmente com pedra, osso e madeira. Alguns desses vestígios iniciais são frequentemente associados às tradições líticas como Umbu, Humaitá e Bituruna, importantes para entender os primeiros modos de vida na região muito antes da chegada dos europeus.
Quando os primeiros colonizadores europeus começaram a explorar as terras que atualmente formam o município de Reserva do Iguaçu, essa região era tradicionalmente habitada por grupos indígenas Kaingang, Xokleng e Guarani. Assim como em outras áreas do sul do Paraná, há registros históricos e arqueológicos que atestam a presença desses povos, que mantinham uma relação estreita com os rios, matas e campos da região.
Durante os séculos XVI e XVII, missionários espanhóis tentaram estabelecer reduções jesuíticas na região do Guairá, em uma tentativa de catequização e organização social dos povos indígenas. Apesar dos esforços, a presença espanhola foi violentamente interrompida por expedições bandeirantes vindas de São Paulo, que destruíram as missões e escravizaram milhares de indígenas. Com isso, muitos grupos indígenas buscaram refúgio em regiões de difícil acesso, como os vales profundos e os altos planaltos do atual centro-sul do Paraná.
A região que hoje corresponde ao território de Reserva do Iguaçu permaneceu por muito tempo sem ocupação permanente por parte dos colonizadores portugueses, devido à sua posição geográfica distante dos principais núcleos urbanos e à dificuldade de acesso. Apenas a partir da segunda metade do século XIX, com a abertura de caminhos tropeiros e o crescimento da atividade pecuária, passaram a surgir os primeiros estabelecimentos de fazendas e pousos de tropeiros na região – entre eles, a localidade de Rondinha, que servia como parada estratégica para quem percorria o interior entre o sul do país e os mercados de São Paulo.
Ao longo do século XX, essas fazendas e pequenas comunidades rurais se expandiram lentamente, recebendo migrantes vindos de outras partes do Paraná e também de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esse processo gradativo de ocupação criou as bases para a futura formação do município. …