Felipe Guerra: História
O atual município de Felipe Guerra era denominado como o ex-povoado de Pedra de Abelha. O município recebeu o nome de "Felipe Guerra" numa homenagem a Felipe Neri de Brito Guerra, filho do município de Campo Grande, líder da região, deputado às Constituintes de 1891, 1892 e 1895, juiz de Direito, desembargador e secretário de Educação.
Antes um povoado, Felipe Guerra tornou-se município em 17 de dezembro de 1953, através da Lei, N° 1.017, o que durou apenas um ano e, em 1954 por decisão do Supremo Tribunal Federal a lei foi anulada e a localidade voltou à condição de povoado, que só desmembrou-se definitivamente de Apodi no dia 18 de setembro de 1963, pela Lei, n° 2.926, tornando-se município do Rio Grande do Norte.
O Município de Felipe Guerra foi fundado pelo Tenente Manoel João de Oliveira, que chegou à região por volta de 1768 e construiu a primeira casa no Sítio Brejo do Apodi. Ele era um cidadão de prestígio em toda a província do Rio Grande do Norte, tendo ocupado cargos importantes como Procurador na Vila Portalegre-RN em 1788, vereador no Senado da Câmara em 1790 e juiz ordinário no Senado da Câmara em Portalegre-RN em 1795. O Tenente Manoel João de Oliveira era natural de Assú/RN, filho de Manoel da Costa Travassos e Leandra Martins de Macedo, e casado com Maria de Jesus Fernandes Pimenta. O casal teve uma grande família, incluindo Antônio Francisco de Oliveira, casado com Quitéria Gurgel do Amaral, que são pais de Jesumira Gurgel de Oliveira, esposa do Coronel Tibúrcio Valeriano Gurgel do Amaral.
Tiburcio Gurgel do Amaral e sua esposa Jesumira Gurgel de Oliveira chegaram à fazenda Brejo do Apodi por volta de 1868. Eles construíram, à margem esquerda do Rio Apodi, sua casa senhorial com paredes maciças de tijolos e pedra, com um vasto sótão sobre carnaubeiras seculares e altas calçadas de lajes calcárias. A casa de Tibúrcio era uma robusta mansão dos tempos coloniais edificada nas selvas do nosso sertão, a desafiar o futuro e as gerações vindouras. Ali, instalando-se com sua mulher e, em seguida, seus filhos, tratou de aproveitar as terras fertilíssimas com o plantio de cana-de-açúcar, fruticultura, arroz da terra e criação de gado.
Com o crescer da prole e com o consórcio de seus filhos e agregados, a terra foi sendo trabalhada e habitada. Tendo a orientar seu crescimento, além da edificante educação paterna, os estudos e conhecimentos de sua descendência, que logo se destacaram nas letras e na política. Por esse labor, a fazenda Brejo aos poucos se desenvolveu, graças ao trabalho fecundo, estudos e boa vontade em favor da terra, que, ao lado de sua esposa, Tibúrcio fincou o primeiro marco do progresso.
A região teve sua primeira escola na casa do Coronel Tibúrcio Valeriano Gurgel do Amaral, pois o mesmo contratou o mestre-escola, professor Astério Dantas, natural do município de Campo Grande/RN para dar aula aos nativos. Tempos depois, foi substituído pelo professor Genésio Dantas, do Apodi, que continuou na nobre e humilde missão de mestre-escola a preparar os homens do futuro. …