Heimatgeschichte · Alambari ·

Alambari: História

Alambari: História

Povoado surgido a partir da capela do Senhor do Bom Jesus do Alambari, em 9 de setembro de 1846.

Em seu livro "Viagem à Província de São Paulo", o botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire descreve, detalhadamente, aspectos geográficos e culturais da região de Alambari quando de sua passagem por volta de 1820:

Desde minha partida de São Paulo fiz voltas, muito me afastando da estrada que conduz diretamente ao Sul — estrada real ; nessa estrada entrei ao chegar a Sorocaba, seguindo-a sempre até o rio Jaguariaíba. Dirigi-me em primeiro lugar à pequena vila de Itapetininga,afastada doze léguas da de Sorocaba, pelo lado sudoeste. A região que percorri não é deserta, mas percebe-se que se abandonam distritos ricos e florescentes, onde é cultivada a cana de açúcar, e que se entra numa região miserável e pouco civilizada (1820). Essa região que atravessei até Itapetininga, ora plana ora ondulada ou mesmo montanhosa, apresenta uma alternativa de matas e de campos. Excetuados os arredores de Sorocaba, onde estes últimos, dentro de pequeno espaço, são semeados de árvores raquíticas, apresentam, geralmente, apenas gramíneas em tufos esparsos, entre os quais não se vê grande número de outras plantas.
Próximo a Pedro Antunes, e mais além, em um espaço de cinco léguas, entre o rio Sarapuhú e a mata de Lambari, os tufos de gramíneas são, entretanto, todos entremeados de numerosas palmeiras de olhas inteiramente radicadas; é a espécie conhecida no Brasil com o nome de endaiâ, e que produz um fruto cuja parte interna é comestível.
Em parte alguma há grandes fazendas; mas veem-se, frequentemente, esparsas pelos campos, casas que, mal conservadas, muito pequenas, constituem indício de completa indigência. Os moradores desses tristes casebres parecem ser brancos e como tais são tratados, mas suas fisionomias demonstram suficientemente, uma originária mistura de sangue indígena. Aos caracteres que indicam essa mescla, já por mim assinalados, muitas vezes juntam-se outros, que recomendo à particular atenção dos antropólogos e dos naturalistas em geral — os da côr da pele e do cabelo. Ao passo que os portugueses de raça pura têm uma pele morena e olhos pretos, e que os indígenas têm olhos e cabelos pretos, e uma pele escura, os indivíduos dessa região, originários dessas duas raças, são facilmente reconhecidos por sua côr esbranquiçada e cabelos louros, caracteres que eu já tinha observado, com pequenas diferenças, entre os mestiços de Caracatinga. Trata-se, talvez, duma espécie de albinismo, cuja causa deve ser complexa e não poderá ser atribuída, unicamente, ao cruzamento das duas raças.
Esses mestiços, relativamente à inteligência, estão muito abaixo dos mulatos, e diferem inteiramente dos fazendeiros brancos da parte mais civilizada da província de Minas Gerais. Estes são homens mais ou menos abonados, que possuem escravos e não cultivam a terra com as próprias mãos; nos colonos brancos, ou pretensos brancos, da parte da província de São Paulo de que me vou ocupando, não se podem ver senão verdadeiros camponeses: não possuem escravos e são eles próprios que plantam e colhem, vivendo, geralmente, em grande penúria. Têm toda a simplicidade e os modos grosseiros de nossos camponeses, mas não possuem, seja sua alegria, seja sua atividade. …

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Quelle: Text: Wikipedia – „Alambari“, Autorinnen und Autoren (Versionsgeschichte), CC BY-SA 4.0 · Foto: Elias Andréo Gimenes, CC BY-SA 4.0 – Wikimedia Commons