Silveiras (São Paulo): História
Por estar situada no caminho entre os portos de Mambucaba e Paraty e as jazidas de ouro de Minas Gerais, a região do município de Silveiras foi ocupada por alguns ranchos de pouso para tropeiros no século XVIII.
Por volta de 1780, a edificação de uma capela em louvor a Nossa Senhora da Conceição no rancho da família Silveira deu origem a povoação de Silveiras, a qual servia de ponto de pouso para os tropeiros.
Nos primeiros anos do século XIX, o café chegou até o então bairro rural de Silveiras, o que proporcionou um grande crescimento à povoação, sendo um dos motivos para que, em 9 de dezembro de 1830, um decreto eleve o povoado à categoria de freguesia, com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Silveiras, subordinada à vila de Lorena.
Graças à luta da população local, a Lei Provincial nº 12, de 28 de fevereiro de 1842, elevou Silveira à condição de vila, desmembrando-a de Lorena. Meses depois, a vila esteve envolvida nas Revoltas Liberais de 1842, em sangrentos combates, como nos mais de 50 assassinatos cometidos pelas tropas do Conde de Caxias em 12 de julho de 1842. Devido aos combates e à destruição da vila, a mesma só foi instalada em 7 de setembro de 1844.
Em 1860, segundo relatos de Augusto Emílio Zaluar, entre Silveiras e Lorena, só o que se via eram choupanas caipiras; uma população quase nômade, que contruía albergues "toscos e mesquinhos", semelhantes às tendas árabes. Essas moradas muitas vezes tinham, à frente, apenas um alpendre de duas vigas, com lombilhos, rédeas, esporas, garruchas e violas pendurados nas colunas. No interior, uma cozinha e um quarto, separados por cortina de chita. Quando o Caipira estava em casa, sentava-se à porta do lar, fumando cigarro de fumo mineiro, olhando seu cavalo pastar.
Em 1860, também segundo Zaluar, a vila estava edificada nas duas margens da estrada geral de São Paulo, em uma planície baixa, rodeada por morros. Se destacava na paisagem a pitoresca capelinha do Patrocínio, construída em uma das colinas. A vila tinha algumas ruas e três praças, e pouco mais de cento casas, muitas cobertas de sapé. A Igreja Matriz estava em reparos, porque estava quase em ruínas.
A Casa de Câmara ficava localizada no centro de uma das praças. Internamente, tinha um salão vasto e decente; com a cadeia pouco segura no térreo do edifício. O Sr. João Henriques de Azevedo e Almeida era o juiz municipal em 1860. A terceira praça possuía um pequeno chafariz, construído com dinheiro da população, que pedia ao estado que custeasse o encanamento.
Em 1860, Silveiras tinha uma escola pública de instrução primária para cada sexo, que ensinavam 26 meninos e poucas meninas. Havia também uma escola de instrução secundária para dez alunos. Além disso, um teatro pequeno e regular, do Sr. capitão Félix de Castro. O cemitério era espaçoso, murado e fechado por um grande portão.
Em 1860, sua produção agrícola principal era de café: 150 mil arrobas por ano. O comércio estava estacionário por falta de recursos pecuniários, escassez das colheitas de café e dificuldade de obter-se meio circulante.
Em 22 de fevereiro de 1864, Silveiras foi elevada à condição de cidade.
Durante o período cafeeiro. Silveiras ficou conhecido como “celeiro regional” do Vale do Paraíba e 4º município em população do estado de São Paulo, com aproximadamente 25 mil habitantes, sendo 1.700 deles escravos de origem africana. …