José Boiteux: História
A cidade recebe o nome do jornalista, historiador e político catarinense José Artur Boiteux, nascido na cidade de Tijucas (SC) o qual é considerado o patrono do ensino superior de Santa Catarina. Coincidentemente, anos mais tarde, a cidade que homenageia este importante intelectual com tal epíteto, terá entre seus cidadãos o primeiro integrante indígena do Brasil a obter um doutorado em linguística no país.
Tradicionalmente habitada por indígenas laklãnõ-xokleng, kaingang e guarani, a região começou a ser explorada em 1920 por descendentes de alemães que foram trazidos da região de Rio do Sul. Ignorando as comunidades originárias que ali residiam a séculos o Estado ao organizar e impor estes novos assentamentos acabou gerando conflitos pelas terras dos indígenas, os quais por estarem política e econômicamente em desvantagem acabaram perdendo seu território e sendo isoladas a força em reservas indígenas afastadas. Por este e outros fatores, em 1926 foi criada a área indígena Ibirama-La Klãnõ, que abrange atualmente parte do território municipal.
Permanecendo como parte do município de Blumenau até 1934, torna-se em seguida distrito de Ibirama em virtude da emancipação daquele espaço geográfico. Em 1958, passou por um primeiro processo de emancipação política, o qual foi considerado inconstitucional, e desse modo, continuou na condição de distrito ibiramense até o final da década de 1980. Criado em 1989 através da Lei Estadual n° 7580 de 26 de abril de 1989 foi definitivamente instalado como município em janeiro de 1990.
Nos anos de 1940 e 50, José Boiteux possuía um número bastante elevado de indústrias de pequena produção mercantil, período que atraiu novos residentes o que diversificou cultural e demograficamente a região, entretanto, com o início dos projetos de contenção de enchentes no vale do Itajaí, que culminou com a construção da Barragem Norte, a economia local se desmantelou o que provocou a extinção da maioria destas indústrias, (FRAGA, 1997), o impacto econômico e ambiental foi sentido sobretudo na área da Barra do Rio Dollmann e da reserva Indígena Duque de Caxias.
A Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng abrange cerca de 40.522,90 ha da área do município e possuía segundo estimativas do Siasi/Sesai do ano de 2013, 2057 habitantes, que equivale a aproximadamente 40% da população do município, sendo o restante descendentes de europeus.