Porto dos Gaúchos: História
Durante o século XX, o governo promoveu o assentamento de agricultores no estado de Mato Grosso. Dentre tais iniciativas, registra-se a Marcha para o Oeste, um programa mais amplo do governo federal que visava "preencher os vazios." Em outubro de 1954, os irmãos Guilherme Meyer e Alfredo Carlson, fundadores da empresa Colonizadora Noroeste Matogrossense (CONOMALI), sobrevoaram a área que atualmente compreende o município. Em 1954, mesmo sem estudos prévios referentes à qualidade dos solos, Mayer comprou 120 mil hectares na região do Rio Arinos. A região passou a ser explorada, sem o apoio do estado, recebendo inicialmente o nome de Gleba Arinos.
Em 1954, as terras da gleba começaram a ser vendidas por intermédio de escritório da CONOMALI estabelecido em Porto Alegre. Os preços eram acessíveis e podiam ser pagos em 36 parcelas mensais. Em março de 1955, uma caravana com vinte pessoas partiu de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, para demarcar e ocupar a gleba. A caravana chegou ao local em maio do mesmo ano, após 45 dias de viagem. Passaram então a derrubar a mata, construir estradas e locais para moradia, viabilizando a instalação de novas famílias nos meses seguintes. As primeiras famílias chegaram em 1956, totalizando 87 pessoas. Em 1957, a população foi aferida em 473 habitantes, composta principalmente por teuto-brasileiros do Alto Uruguai. Posteriormente, a companhia trouxe emigrantes de Santa Catarina e do Paraná.
O processo de formação ocorreu de forma abrupta e desrespeitosa aos direitos dos povos indígenas. Não existiam reservas indígenas na região, o que resultava na qualificação das terras como devolutas. Na região viviam os Tapaiúnas, Caiabis e os Ricbactas, que lutavam contra a ocupação. Neste contexto, o processo de colonização não foi pacífico. Foi sugerida uma expedição do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) para lidar com a situação. Em 1968, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) estabeleceu a Reserva Indígena Tapayúna. No ano seguinte, uma epidemia de gripe resultou na morte de centenas de Tapaiúnas, e os poucos indígenas sobreviventes foram transferidos para o Parque Indígena do Xingu.
A CONOMALI empreendeu esforços para o desenvolvimento gradual da Gleba Arinos. Foram construídas ruas, estradas, serrarias, farmácia, posto médico e um pequeno hospital. A rede de ensino contou com escolas de formação elementar e fundamental. Após a criação da primeira ligação terrestre com a capital estadual Cuiabá, a localidade passou a contar com uma estrutura relativamente boa, a qual incluía usina elétrica, moinhos, oficina mecânica e pequeno estaleiro fluvial para a construção de barcos. Em 1959, 2.100 hectares haviam sido desmatados. Ao mesmo tempo, a companhia continuou recrutando novos moradores, utilizando anúncios em jornais cujo conteúdo referia a disponibilidade de terras férteis, com potencial para o cultivo de café, pimenta, cacau e borracha.
Foi elevado à categoria de município por intermédio da Lei n.º 1945, de 11 de novembro de 1963, com o desmembramento do município de Diamantino. Sua instalação ocorreu em 1.º de maio de 1965. O novo município recebeu o nome de Porto dos Gaúchos, uma junção do estado de origem dos primeiros colonizadores com o porto de chegada, o qual servia como o único acesso ao local. Guilherme Mayer foi o primeiro prefeito. Em 1965, possuía quase 1.000 habitantes, com 3.700 lotes à venda. A produção agrícola abrangia os cultivos de arroz, café, cacau, pimenta-do-reino e seringueiras. …