Ipê (Rio Grande do Sul): História
A ocupação do território do atual município de Ipê teve início no final do século XIX. Por volta da década de 1880, a região era utilizada como área de passagem e pouso por tropeiros provenientes dos campos de Vacaria, que atravessavam a Serra do Rio das Antas em direção à região de São Leopoldo. À época, a área era coberta por extensas florestas, sendo percorrida anteriormente por povos indígenas que utilizavam os recursos naturais locais para subsistência.
Com o avanço da ocupação não indígena, fazendeiros passaram a estabelecer lavouras, sobretudo de milho, e a construir casebres destinados a trabalhadores. Parte significativa da população inicial era formada por luso-brasileiros, incluindo descendentes de pessoas escravizadas vinculadas à atividade pecuária regional. As habitações eram simples, construídas com chão batido, tábuas rústicas e coberturas de tabuinhas.
A partir da década de 1880, intensificou-se a chegada de imigrantes italianos, oriundos principalmente de São Sebastião do Caí. Para alcançar a região, deslocavam-se por via fluvial até o Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul) e, posteriormente, seguiam a pé ou a cavalo pela serra, estabelecendo-se nas colônias de Antônio Prado e em áreas que viriam a integrar o município de Ipê.
A presença dos imigrantes italianos contribuiu para o crescimento econômico e populacional da localidade. Em 31 de dezembro de 1890, a Câmara Municipal de Vacaria criou o 4.º Distrito, inicialmente denominado São Luiz de França. Em razão da abundância da árvore ipê, a sede distrital passou a ser conhecida como Vila Ipê, denominação que se consolidou ao longo do tempo.
Ao longo do século XX, a comunidade local apresentou progressivo desenvolvimento social e econômico. Na década de 1980, fortaleceram-se os movimentos em favor da emancipação político-administrativa. Em 1985, o então pároco da Paróquia São Luiz Rei, frei Augusto Denardi, iniciou a formação da Comissão Comunitária Pró-Emancipação. Em reunião realizada em 6 de setembro de 1985, no Clube Ideal, com a participação de lideranças e moradores de Vila Ipê, Vila Segredo e Vila São Paulo — então o 4.º, 9.º e 11.º distritos de Vacaria —, foi escolhida a comissão de emancipação, composta por Osmar Vargas dos Santos (presidente), frei Casimiro Zaffonato (vice-presidente), Cirilo Ciotta (1.º secretário), Carlos Antonio Zanotto (2.º secretário), Uldérico Marcon (1.º tesoureiro), Darci Luiz Lovatel (2.º tesoureiro), Delvino Magro (subcomissão de Vila Segredo) e Luiz Antônio Salvador (subcomissão de Vila São Paulo).
Em plebiscito realizado em 21 de setembro de 1987, a população aprovou a emancipação político-administrativa, com maioria favorável ao desmembramento. Em 15 de dezembro de 1987, o então governador Pedro Simon sancionou a Lei Estadual n.º 8.482, que criou o município de Ipê, constituído pelos distritos de Vila Ipê, Vila Segredo e Vila São Paulo, anteriormente pertencentes a Vacaria. A sede municipal foi estabelecida em Vila Ipê.
A instalação administrativa do município ocorreu em 1.º de janeiro de 1989, com a posse de Protázio Duarte Guazzelli como primeiro prefeito eleito. O gentílico dos habitantes do município é ipeense.
^ 1: Denominação de caráter pejorativo, atribuída no período inicial da colonização, posteriormente abandonada.