Alvarenga (Minas Gerais): História
O desbravamento da região do atual município de Alvarenga teve início na segunda metade do século XVII, tendo se intensificado após a descoberta de ouro no futuro povoado de Cuieté (atual município de Conselheiro Pena) pelo bandeirante paulista Antônio Rodrigues Arzão. O local até então era habitado exclusivamente pelos Botocudos e os primeiros exploradores chegaram ao lugar através do rio Manhuaçu, adentrando seus afluentes à procura do metal, cuja exploração legal seria possível somente na década de 1740, após autorização do Conde de Bobadela. Em 1745, a região da atual cidade foi desbravada e habitada pelo paulista José Pereira de Alvarenga, o que deu identidade à localidade, batizada algum tempo depois de Ribeirão do Alvarenga.
Durante décadas os indígenas foram exterminados pelos colonizadores, que tinham objetivo de dominar as terras. Os nativos que sobreviviam eram catequizados e dominados, sendo que no começo do século XIX restavam poucos representantes da etnia, a maioria servindo como mão de obra das fazendas existentes nas redondezas. Ribeirão do Alvarenga estava situado no caminho da estrada ligando Vila Rica — atual Ouro Preto, então capital da Província de Minas Gerais — a Cuieté, visando ao transporte do ouro, que viria a se esgotar após 1780.
Na década de 1830, passou pela região uma caravana que abria caminho pela mata. O grupo seguiu viagem, porém afixaram-se no lugar João de Barros e sua filha Maria Florinda dos Prazeres, conhecida como Maria Guanhães, de apenas 11 anos de idade. Juntos ergueram uma capela e deram início à formação do arraial. Nos anos seguintes vieram outros pioneiros, dando sequência ao povoamento da região, e na década de 1850, a posse das terras foi dada aos irmãos, Tristão Cristiano de Vasconcelos e Basílio Rodrigues de Vasconcelos. O acesso a outras regiões mineiras foi facilitado após a abertura de uma estrada ligando Cuieté a Ponte Nova, passando por Alvarenga, com objetivo de conectar a região a outra estrada que partia de Ouro Preto a Vitória (cujo trecho daria origem à BR-262).
As terras continuaram a ser repartidas e vendidas, favorecendo a formação de novos núcleos habitacionais, que se desenvolveram em função das terras férteis e propícias ao cultivo do café. Pelo decreto de 10 de abril de 1880 foi criado o distrito, denominado Floresta e subordinado a Caratinga, passando a fazer parte do município de Itanhomi pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, e posteriormente de Conselheiro Pena pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938. Pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, o distrito passou a ter seu nome atual (Alvarenga), sendo emancipado pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, e instalado em 1º de março de 1963.