São José do Barreiro: História
No século XVIII, o território municipal era utilizado como rota alternativa dos tropeiros que traziam riquezas de Minas Gerais para o porto de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), para evitar postos de fiscalização e cobranças.
Por volta de 1820, João Ferreira de Souza e seus cunhados Fortunato, João e José Pereira Leite edificaram uma capela em louvor a São José, em terras então pertencentes à vila de Areias, assim surgindo a povoação de São José do Barreiro, cujo nome se deve ao santo padroeiro e um atoleiro de difícil passagem (“barreiro”).
Em agosto de 1822, a Fazenda Pau d'Alho, no atual território barreirense, serviu de parada para Dom Pedro I, quando este trafegava pela província de São Paulo, logo antes de proclamar a independência.
Com o desenvolvimento da povoação de São José do Barreiro, o que se deve sobretudo ao principal produto ali cultivado, o café, esta foi elevada à categoria de freguesia pela Lei Provincial nº 17, de 4 de março de 1842, subordinada a Areias, se tornando vila por meio da Lei Provincial nº 6, de 9 de março de 1859.
Em 1860, segundo Zaluar, Sâo José do Barreiro era uma "pitoresca vila reclinada no regaço de um vale ameno e verdejante", tendo a vista das montanhas a perder-se no horizonte por todos os lados. As estradas que levavam à vila eram regulares. As ruas da vila eram alinhadas, quase todas planas, com prédios construídos com regularidade. A vila, de 5 mil a 6 mil habitantes, estava dividida em dois bairros: na parte mais elevada, o bairro nobre, com as construções mais importantes e as pessoas mais abastadas e no topo, a igreja matriz; logo abaixo, o bairro das classes pobres, com casas cobertas com sapé.
Havia uma escola de ensino primário (de 20 anos de existência) e um colégio para meninas (de 8 anos de existência); que ensinavam 45 alunos de ambos os sexos. O teatro de Barreiro estava quase completamente construído, sendo o melhor que havia dentro os municípios circunvizinhos. Também estava quase completo o cemitério da cidade, com muros de pedra, e uma ponte sobre o Rio Barreiro. Havia planos de construir uma Casa de Câmara e cadeia. Tudo construído com doações da comunidade. Até 1860, o município não havia recebido valores dos cofres públicos para infraestrutura.
O desenvolvimento do povoado até sua formação enquanto cidade deu-se graças ao principal produto alí cultivado, o café. Ao longo do século XIX, São José Barreiro tornou-se, primordialmente, um dos maiores centros de produção cafeeira do Brasil, por isso preserva uma série de construções, como a Fazenda Pau d’Alho, a Fazenda da Barra e a Fazenda São Francisco, que representam a fartura econômica vivida na época.
Ainda assim, diferente de outras cidades do Vale do Paraíba, São José dos Campos teve participação mais modesta no ciclo cafeeiro (apenas 2,2% da produção do Vale), através de pequenas e médias propriedades. A cidade obteve um aumento produtivo significativo nas décadas de 1850 e 1860, principalmente devido à emancipação da cidade, em 1862. Atingiu o seu auge na década de 1880, mesmo assim, a produção local não superava safras menores do que cidades próximas do Vale.
Assim como em outras regiões do Vale do Paraíba, as propriedades cafeeiras de São José dependiam em grande parte do trabalho escravizado. Segundo Maria Aparecida Papali (1996), os fazendeiros possuíam em média de 10 a 15 escravizados. …