Areias (São Paulo): História
Indígenas puris e botocudos habitaram a região até o século XVIII, quando os desbravadores de origem europeia passaram a persegui-los.
Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, a cidade de Areias surgiu por volta de 1770, com o nome de Santana da Paraíba Nova, como um pouso de tropeiros vindos de São Paulo e Minas Gerais que se dirigiam para o Rio de Janeiro, sobretudo para Mambucaba. Foi assentada em uma grande planície, em uma implantação organizada: ruas alinhadas e regulares.
Dentre os primeiros habitantes do atual município de Areias, destacam-se o padre Joaquim José da Silva e seus irmãos, Gabriel Serafim da Silva, Joaquim Lopes Guimarães, Bento Leme de Camargo, João Ferreira de Souza, Joaquim de Siqueira e Mota e Antônio de Vilas Boas e Silva.
Em 26 de janeiro de 1784, foi elevada à categoria de freguesia, com o nome de Santana da Paraíba Nova, subordinada a Guaratinguetá, logo passando para a nova vila de Lorena.
Desde 1798, os moradores da freguesia lutavam pela sua emancipação. Atendendo a um pedido de seus moradores, um Alvará de 28 de novembro de 1816, sancionado pelo rei Dom João VI, criou a vila de São Miguel de Areias, assim batizada em homenagem ao príncipe Miguel, filho do rei, mas a padroeira da vila continuou sendo Sant’Ana.
Em 1822, o Hotel Santana hospedou Dom Pedro I em sua viagem para independência do Brasil.
O café chegou a Areias no início do século XIX, sendo um dos primeiros municípios paulistas a cultivar o grão, logo tornando-se uma importante fonte de renda para esse município vale-paraibano. Em 1838, a vila produziu 100 mil arrobas de café. Em meados do século XIX, produzia um décimo do total da província de São Paulo. Dessa época, datam as casas e sobrados de arquitetura típica da civilização do café.
Areias viveu um período breve, mas intenso, de prosperidade na produção cafeeira entre os anos de 1850 e 1860. Esse período deixou marcas profundas na arquitetura e na vida cultural da cidade. Já no início do século XX, com a decadência do café, Areias foi perdendo sua opulência de cidade progressista.
Em 1842, no contexto das Revoltas Liberais de 1842, Areias, junto com algumas outras vilas vale-paraibanas, foram anexadas à Província do Rio de Janeiro, mas logo voltariam a São Paulo no mesmo ano.
Ao longo de sua existência, Areias perdeu território para a criação das vilas de Bom Jesus de Bananal (1832), São João Batista de Queluz (1842) e São José do Barreiro (1859).
Em 24 de março de 1857, a vila de São Miguel de Areias foi elevada à categoria de cidade, com o nome Areias.
Em 1860, conforme consta na obra de Augusto Emílio Zaluar, as ruas eram margeadas por muitos prédios de pouca elegância. Uma das principais ruas estava sendo calçada. E o município tinha entre 6 mil e 7 mil habitantes. A igreja matriz era um edifício velho, caindo aos pedaços, que fora reparado em partes com doações do munícipes. O frontispício havia desabado. Ela foi finalizada em 1874.
A Casa da Câmara e a cadeia ocupavam um mesmo edifício. A cadeia era a mais asseada da região. O Sr. Dr. Joaquim Francisco Ribeiro Coutinho era o então presidente da Câmara Municipal. Estava em construção um pequeno teatro para 300 pessoas e duas ordens de camarotes, que viria a ser "um dos mais bonitos que existem por estas povoações". Todas as melhorias de infraestrutura eram custeadas pela população local. …