Pedra Mole (Sergipe): História
A ocupação territorial do interior sergipano iniciou-se no século XVI, à medida que os exploradores e colonos subiam o curso do rio Vaza-Barris. Perto das suas margens foram fundados os povoados de São Cristóvão, Aracaju e Itaporanga d’Ajuda, adentrando-se a partir de 1575 até Lagarto e Campo do Brito. No século seguinte, , entre 1637 e 1645, durante a ocupação holandesa de Sergipe, os moradores, figindo à destruição causada pelo invasor, levaram seus rebanhos cada vez mais para o interior, até à região das atuais Itabaiana e Simão Dias. Em 1655, após a expulsão dos holandeses, recomeça a exploração colonizadora baseada na pecuária, assim como as concessões de sesmarias. Neste século teve lugar a ocupação da maior parte do território de São Cristóvão, Campo do Brito, Macambira e Lagarto, chegando até Simão Dias e Pedra Mole. O tipo de ocupação humana praticado na região, requerendo grandes áreas destinadas à produção de gado, assim como para implantação de núcleos populacionais, produção de alimentos e abertura de estradas, determinou desde logo profundas alterações nos ecossistemas da região, com vastas áreas das matas nativas sendo paulatinamente suprimidas desde o início da colonização.
Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, a área hoje correspondente aos municípios de Pedra Mole e Pinhão foi inicialmente ocupada por Manoel Alves da Silva, que obteve, por alvará de 25 de outubro de 1713, uma "(...) sesmaria de uma légua de comprimento por três de largura, começando no rio Salgado, que deságua no Vaza-Barris, até à serra do Coité".
O fundador da povoação é tido por muitos como sendo João Fonseca, que em meados do século XIX era o fazendeiro mais conhecido da região, embora muitas dezenas de anos antes de seu aparecimento já Pedra Mole tivesse consolidado sua situação de pousada obrigatória de índios e colonizadores que, antes e depois das lutas em Laranjeiras, Itaporanga e São Cristóvão, subiam o rio Vaza-Barris, passando pelas matas de Itabaiana, seguindo o rumo de Bom Conselho - atual Cícero Dantas - e Jeremoabo. João Fonseca veio a tornar-se tronco de uma grande família, sendo seu bisneto José Lavres da Fonseca, primeiro prefeito da cidade.
Em novembro de 1852, o povoado é referido no Correio Sergipense como sítio onde se acoitavam vários malfeitores, entre eles um certo Félix, culpado de crime de morte, que urgia capturar, pertencendo então à vila de Itabaiana, e na dependência do distrito policial de Campo do Brito.
Desde meados do século XIX, a região de Itabaiana, à qual pertencia o povoado de Pedra Mole, constituiu-se como importante centro agrícola, sendo desde 1864 uma região de extraordinária produção algodoeira, para a qual seria projetada a abertura de uma rede de estradas reais, por forma a permitir o escoamento da produção agrícola para o litoral sergipano, em particular a capital de província, Aracaju.
Em novembro de 1881, o presidente da então província de Sergipe, Inglês de Sousa, visitou o povoado, como parte da excursão que realizou ao interior da província.
Em 1889, a povoação possuía uma comunidade ativa no movimento republicano sergipano, agregada em torno do Club Republicano de Pedra Mole. No mesmo ano, o capitão José Guilherme da Silveira e outros residentes do povoado, pediram o cumprimento da lei que havia criado a feira de Pedra Mole, e a destruição das de Rajas, Mucambo e Macambira.
Em 1890, a família Ettinger, de origem francesa, fundou na região uma fábrica de beneficiamento de algodão. …