Rio Doce (município): História
A área do atual município de Rio Doce já era povoada no século XVIII. Uma capela foi construída no povoado de Santana do Deserto em 1745, marcando a existência do povoamento. Posteriormente, foi estruturado um caminho que ligava essa localidade a Merengo (Santa Cruz do Escalvado). Entretanto, o núcleo urbano da cidade começou a se consolidar somente na segunda metade do século XIX, com a construção de um ramal da Estrada de Ferro Leopoldina. O local era conhecido como Perobas, árvore que era comum.
Próximo à margem do rio Doce foi construída a estação ferroviária, que recebeu o nome do manancial e teria sido inaugurada em 6 de setembro de 1886. Assim, essa é considerada a data da fundação da cidade, que herdou o nome do terminal de trens. Vale ressaltar que o dia exato da inauguração da estação varia conforme a fonte. A cidade comemora o aniversário em 6 de setembro, enquanto que o inventário de bens patrimoniais da prefeitura aponta que a parada foi inaugurada com a visita de Dom Pedro II em 25 de junho de 1886, mas esclarece que a data de construção é desconhecida.
O distrito com o nome de Rio Doce foi reconhecido pelo decreto estadual nº 122-A de 27 de junho de 1890, então pertencente a Mariana, sendo posteriormente integrado a Ponte Nova. Chegou a ser transferido para Dom Silvério em 1938, porém voltou a fazer parte de Ponte Nova em 1943. A emancipação ocorreu em 3 de março de 1963. O ramal da Estrada de Ferro Leopoldina que atendia à cidade, por sua vez, deixou de operar em 1969, porém a antiga Estação de Rio Doce foi preservada. Serviu de moradia e bar e chegou a ser abandonada antes de ser adquirida pela prefeitura em 2013. Por fim, a administração municipal restaurou a edificação, que passou a ser usada como sede da Secretaria da Cultura, auditório e espaço cultural.
Em 2004, entrou em operação a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves no curso do rio Doce, na divisa com Santa Cruz do Escalvado. A construção do empreendimento provocou impactos ambientais e desapropriações de imóveis rurais, mas gerou movimento de capital e projetos de recuperação e manutenção da mata ciliar como parte do consórcio responsável. Entretanto, as condições do rio e as operações da hidrelétrica foram severamente afetadas pelo rompimento de barragem em Mariana em 2015.