São Bernardo do Campo: História
=== Borda do Campo ===
A Primeira fase do povoamento do território que atualmente compõe o Município remonta a 1553, quando, por ordem de Martim Afonso de Sousa, donatário da Capitania de São Vicente, oficializa-se o povoamento que existia "serra acima". Este povoado, cujas origens remontam, segundo algumas pesquisas, a 1549, foi criado como resultado da aproximação de um português, cuja chegada ao Brasil se deu em data e por motivos ainda não esclarecidos a atual costa paulista: João Ramalho, e o senhor da nação dos Guaianases, Tibiriçá. Recebido por estes, e vivendo, literalmente, como um deles, Ramalho tinha como esposa a filha de Tibiriçá, Bartira. Ao chegar ao Brasil para tomar posse de sua capitania, em 1532, Martim Afonso de Souza se deparou, em São Vicente, com um imenso cerco empreendido pelos nativos - foi do meio deste cerco, para a surpresa dos portugueses que ali estavam, que surgiu Ramalho, falando português e esclarecendo que todos ali estavam em paz. Graças a este "acordo de paz" e a descrição do aldeamento em que vivia, serra acima, Martim Afonso ordena a Ramalho, com a colaboração dos seus, a formação de um povoamento, onde ele e seu sogro chegaram a reunir, segundo fontes, mais de cinco mil nativos. Em 8 de Abril de 1553, nasce Santo André da Borda do Campo, com forais de vila e tendo João Ramalho como seu primeiro alcaide-do-campo.
O povoado enfrentava a oposição e as constantes investidas das nações rivais dos guaianases, notadamente os carijós. Localizada em sítio desfavorável, era difícil de ser protegida e fortificada, o que resultou em diversos "assaltos" perpetrados pelos carijós que colocavam sua existência em risco constante. Além disso, após o estabelecimento do Colégio dos Jesuítas, em Piratininga, a partir de 1554, a Vila, João Ramalho, sua família e seus costumes são alvos constantes dos jesuítas, entre eles Manoel da Nóbrega, que, entre outros, acusava Ramalho de "viver em pecado" ou sob os costumes e regras dos nativos que o cercavam. Chegou a ser alvo de excomunhão (pelo Padre Leonardo Nunes, na Borda do Campo), e, chegou a se casar oficialmente com Bartira segundo a tradição católica romana, tendo esta sido batizada com o nome de Isabel enquanto seu pai, Tibiriçá, recebeu o nome de Martim Afonso. Enfrentando toda a sorte de oposição e de ataques, a Vila conhece seu fim prematuro em 1560, quando por ordem do governador-geral do Brasil é extinta e tem seu pelourinho, população e forais transferidos para o Colégio de Piratininga, situado em local mais propenso a defesa e sob a tutela dos jesuítas, que criticavam a antiga vila também sob o pretexto de que ela era "antro de pecadores". Participou ainda junto a seu sogro da defesa de Piratininga. A ele é oferecido um cargo de vereador na nova Vila de São Paulo de Piratininga, cargo que este recusa. Assim, João Ramalho se retira em direção ao atual Vale do Paraíba, onde morreria por volta de 1580, segundo alguns, com 80 anos de idade. Após a transferência da sede da vila, que oficializa a atual Cidade de São Paulo, a região da Borda do Campo vive um período de grande estagnação, sendo convertida em sesmaria, da qual Amador de Medeiros era o provedor. …