Betim: História
Antes da chegada dos luso-brasileiros no século XVIII, o território onde hoje se localiza Betim já era ocupado por povos indígenas pré-coloniais. Evidências dessa ocupação foram encontradas na forma de vestígios líticos lascados, descobertos durante as obras da alça viária que liga as rodovias BR-381 e BR-262. O Museu da Cidade de Betim também abriga peças polidas, como lâminas de machado, encontradas nos bairros Capelinha e Açude, reforçando a presença humana na região desde períodos remotos.
A ocupação luso-brasileira teve início no final do século XVII, com a intensificação das rotas abertas por bandeirantes vindos de São Paulo em direção a Pitangui, atraídos pelas descobertas de metais preciosos em Minas Gerais. A região também fazia parte de uma importante rota de abastecimento que ligava a Bahia ao interior mineiro. Em 1711, foram concedidas três sesmarias na área, sendo a mais conhecida aquela solicitada por José Rodrigues Betim, genro de Fernão Dias Pais Leme e ligado à bandeira de Borba Gato. O nome do município deriva desse pioneiro, embora ele tenha deixado a região em 1714, transferindo-se para Pitangui.
A sesmaria rapidamente se consolidou como ponto de parada de tropeiros, originando pequenos núcleos de povoação entre 1711 e 1750. O primeiro deles a ganhar destaque foi o Arraial da Bandeirinha do Paraopeba, nomeado por ter sido cenário de uma "bandeirinha" — uma pequena expedição de prospecção mineral. O atual bairro Bandeirinhas preserva essa memória histórica. Nessa mesma época, foi construído o casarão que hoje abriga a Casa da Cultura Josefina Bento.
Por volta de 1750, os moradores da região solicitaram à Igreja Católica a construção de uma capela sobre um monte, onde atualmente se encontra a Praça Milton Campos. Como já existiam outros templos nas imediações, a nova igreja passou a ser chamada de Capela Nova do Betim, nome que se estendeu ao povoado ao redor. Elevada a matriz em 1867, a capela foi demolida em 1969, sendo atualmente lembrada por um monumento chamado Igreja Velha.
Entre 1760 e 1800, o arraial de Capela Nova do Betim cresceu em importância e foi elevado à condição de distrito em 1797, situação confirmada pela Câmara de Sabará em 1801. Com o declínio da mineração, a região passou a se dedicar à agricultura de subsistência e à pecuária. Em meados de 1864, Betim possuía 488 casas e 40 fazendas. As principais propriedades pertenciam à família Nogueira Duarte, sediada na Serra Negra. Às margens do Rio Betim, operavam cerca de 35 moinhos de fubá e olarias, que contribuíram para a economia local. …