Malanje: História
O território municipal de Malanje era no passado parte do reino da Matamba, um Estado poderoso que confrontou o Império Português até o início do século XIX, quando finamente caiu.
Os primeiros mercadores portugueses chegaram ao rio Malanje no século XVII, na travessia das pedras, encontrando ali um lugar rudimentar em que os habitantes do entorno utilizavam para trocas e escambo. Os portugueses chamaram o local de "Ma-lanji".
O chefe tribal da já bem estabelecida Passagem-Feira (ou Dembo) de Ma-lanji, ao ver os resultados da guerra (1850-1862) entre o reino de Cassange o reino de Portugal, se antecipa a alguma intervenção portuguesa e oferece estatuto de "moradores" aos comerciantes lusitanos, em 1852. As autoridades coloniais a transformam no povoado de Malanje e erguem a paróquia de Nossa Senhora de Assunção.
No ano de 1857 foi fundado em Ma-lanji um presídio e em 1862, após o fim da terceira guerra do Cassange, foi construído o Forte de Malanje.
Em 1867/68 as autoridades colonias elevam a localidade-feira ao estatuto de vila, recebendo a sede do conselho, com a grafia do nome passando a ser Malanje.
Em 13 de julho de 1895 é criado o "distrito de Lunda", para administração portuguesa junto ao Protetorado Lunda-Chócue. A capital foi assentada em Saurimo e preterida em 1896 para Malanje, permanecendo até o ano de 1921, quando volta novamente para Saurimo.
Na década de 1900 a região passa por um enorme processo de integração com o restante da colônia, quando a linha do Caminho de Ferro de Luanda, que liga Malanje a Luanda é concluída.
Até o início da década de 1920 a a região de Malanje estava conectada administrativamente com o distrito de Lunda (atual Lunda Sul) quando, em 17 de dezembro de 1921, pelo Decreto n.º 80/1921, o governador colonial José Norton de Matos devolve a capital distrital de Lunda para a cidade de Saurimo, e; no ato seguinte cria o distrito de Malanje, fixando sede nesta cidade.
No final da década de 1960 e início da década de 1970 o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) utilizou Malanje como ponta de lança para atacar as forças portuguesas no centro-norte da nação, no que ficou conhecido como a "Rota Agostinho Neto" da Frente Leste. A lutar em simultâneo contra tropas portuguesas, contra a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e confrontado com divergências internas, o MPLA abandonou a estratégia, conseguindo manter uma base em Cangandala (próximo à cidade de Malanje).
A partir de outubro de 1975 o MPLA executa uma enorme ação militar na província, sendo que a mesma volta totalmente ao domínio do movimento em março de 1976, com a derrota completa da UNITA e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Para demonstrar a capacidade de organização e integração da cidade, o governo angolano realizou em Malanje e outras três capitais provinciais angolanas em fevereiro de 1976 a I Jornada Desportiva de Solidariedade Anti-Imperialista, o primeiro evento desportivo que Angola participaria com suas equipas e selecções e também o primeiro evento internacional a ser realizado em Angola (recebendo atletas e delegações de 6 países).
O cessar-fogo e relaxamento militar para a realização das eleições de 1992 foi aproveitado pela UNITA para, numa operação-relâmpago, dominar toda a província malanjina (com exceção da capital) entre dezembro de 1992 e junho de 1993. …