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Uíge: História

Não há registros históricos de aldeamentos no local onde atualmente encontra-se a cidade do Uíge antes da expedição lusitana feita pelo alferes Júlio Tomáz Berberan, entre 1916 e 1917. O registro existe a partir da própria expedição, que encontrou um povoado na área.

A iniciativa de formação de uma localidade na região da cidade do Uíge partiu do governador colonial Massano de Amorim. O governador comissionou, em 1916, o alferes Tomás Berberan a ir ao soba Banzo, do povoado do Candombe (atualmente bairro do Candombe Velho), com o intuito de solicitar formalmente a instalação de um posto militar ali. O soba Banzo achou boa a proposta, visto a promessa de aumento do comércio na área, autorizando a construção de um posto militar avançado.
Tomás Berberan procurou informar o parecer favorável do soba ao governador Massano de Amorim, que por determinação da portaria nº 60, de 6 de abril de 1917 formalizou a construção do posto militar local onde se encontrava o antigo povoado do Candombe e hoje é a cidade do Uíge. Em 1923, o posto passou a sede da circunscrição e, mais tarde, ao de conselho do Bembe.
Em 1946 o governo colonial decide transferir a capital do distrito do Congo (atual província do Uíge) da cidade de Maquela do Zombo para a ainda denominada vila do Uíge.
Em 1955, a até então vila do Uíge passou a designar-se vila Marechal Carmona, em homenagem ao Presidente da República português Óscar Carmona, e; em 1955 é finalmente elevada à categoria de cidade, mais apropriada a sedes de distritos.

A 30 de maio de 1962 a cidade de Carmona foi feita Comendadora da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (ComTE).

Entre as décadas de 1950 e 1970, devido à grande riqueza que o café proporcionou, Uíge era uma cidade com muitos equipamento públicos que outras cidades não dispunham. Tinha um aeroporto, um aeroclube, uma piscina, um colégio, uma escola técnica, uma agência do Banco de Angola, a Rádio Clube do Uíge, o Grande Hotel do Uíge, o Clube Recreativo do Uíge, um Hospital e todos os serviços públicos. No entanto, havia uma clara segregação e desigualdade de acesso, com as populações brancas sendo as que tinham condições e recursos para utilizar tais infraestruturas, com as populações negras ficando segregadas às periferias empobrecidas.
De 1961 até o ano de 1976, com a ascenção do nacionalismo em função das enormes disparidades socieconômicas locais, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) disputavam o controle das redondezas cidade com as tropas portuguesas, com a FNLA conseguindo mais sucesso nos primeiros anos, justamente durante os ataques ao norte de Angola em 1961, sem, contudo, tomar efetivamente a cidade. Portugal conseguiu retomar e garantir a região circundante de Uíge graças à sua rede de bases militares e a geografia desafiadora da província. Em função da desproporcionalidade dos ataques da FNLA em 1961, e da forte presença militar portuguesa, a partir desta data o MPLA manteve um forte apelo de mobilização política-popular entre as populações negras da cidade, no intuito de compensar sua dificuldade de operar militarmente na região.
A iminência do Acordo do Alvor fez os movimentos partirem para guerra total, fazendo com que ocorressem embates fratricidas, o início da Guerra Civil Angolana (1975-2002). Em fevereiro de 1975, com extenso apoio da República do Zaire, Uíge caiu sob domínio da FNLA. …

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Quelle: Text: Wikipedia – „Uíge“, Autorinnen und Autoren (Versionsgeschichte), CC BY-SA 4.0