Cuíto: História
O Cuíto foi erguido no centro de um dos principais reinos ovimbundos, o reino do Bié, por um homem chamado Viye, o governante dos bienos, e por sua esposa, de etnia songa, chamada Cahanda. Os ovimbundos eram conhecidos por venderem cativos das tribos vizinhas para os comerciantes de escravos europeus, o que tornou a área um local ideal para o negócio de escravos e trouxe os colonos para a região.
Os portugueses estabeleceram um posto comercial na ombala Ecovongo (cidade-capital do reino do Bié; atualmente vila do município do Cuíto) em 1750, transferindo-a, em 1771, na época do governador colonial Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, para o Cuíto como um posto militar avançado para o Planalto Central de Angola, bem como sede de uma missão católica sob direção do padre Gonçalo de Silveira. O padre inicialmente deu àquela o nome Amarante, tornando-se depois Belmonte.
Posteriormente chamaram a então vila de Belmonte de vila de Silva Porto, em homenagem a António Francisco da Silva Porto, importante sertanista e explorador português para o centro angolano, que chegou a construir sua casa na área. O clima agradável na província do Bié foi atraente para os colonos portugueses e muitos fizeram a sua casa em Silva Porto no início dos anos 1900, quando a Caminho de Ferro de Benguela ligou a localidade à costa.
Em 31 de agosto de 1925, três anos após a criação do distrito do Bié, a povoação de Silva Porto ainda era precariamente a sede distrital, quando finalmente foi elevada a categoria de vila; pelo diploma legislativo nº 740, de 1935, a vila foi elevada a categoria de cidade.
Na década de 1960 foi descrita elogiosamente: «A cidade de Silva Porto tem um aspecto gracioso e as estradas bem marcadas e, na maior parte recentemente asfaltadas, é eletrificada e tem água canalizada, com uma estação de rádio e piscinas para a prática de desportos náuticos. Na cidade foi recentemente erigida uma estátua de bronze com 3,6 metros de altura, em homenagem a este grande Português »(…)« há 2300 europeus, 1900 mestiços e menos de 400 mil nativos.»
Cuíto tinha uma longa história de violência, começando com o comércio de escravos africanos e a guerra tribal. Mais tarde, na década de 1960, os portugueses usaram a cidade de Silva Porto como um centro de treinamento para o treinamento de soldados negros do Exército Português para enviar o norte de Angola para lutar contra os guerrilheiros nacionalistas durante a Guerra Colonial Portuguesa.
Após a independência de Portugal em 1975, o Cuíto teve os seus piores momentos em 6 de janeiro de 1993 quando a UNITA, durante a Guerra Civil Angolana, sitiou a cidade durante mais de 9 meses e mais de 30.000 pessoas foram mortas, tanto de efeitos de guerra, como de fome. Ninguém foi autorizado a entrar ou sair da cidade por nove meses e a cidade sofreu grandes danos. A UNITA acabou por ser expulsa do Cuíto e uma segunda tentativa foi tomada para capturar a cidade em 1998 usando enormes artilharias e tanques.