Luena (Angola): História
Conhecida inicialmente pelo nome de "região Luvale", o primeiro português que viajou de Benguela para a região de Luena foi José de Assunção e Melo, em missão comercial, em 1794.
A efetiva expedição de ocupação portuguesa só aconteceu em 3 março de 1895, após o tratado que firmou o Protetorado Lunda-Chócue. A missão foi chefiada pelo tenente-coronel Trigo Teixeira. Nesta expedição o militar transferiu definitivamente o Moxico-Velho para aonde atualmente está assentada a cidade de Luena, na época recebendo o nome de "Moxico-Novo". Em Moxico-Novo o tenente-coronel Trigo Teixeira estabeleceu uma Colônia Penal Militar Agrícola, que depois tornou-se a Fortaleza Ferreira de Almeida.
Em 25 de fevereiro de 1922, o Moxico-Novo passou a chamar‐se Vila Luso, em virtude da visita do governador colonial José Norton de Matos para supervisionar as obras do Caminho de Ferro de Benguela, que acabava de chegar na localidade. O nome Vila Luso era uma homenagem à localidade de Luso, em Portugal.
Em 18 de maio de 1956 as autoridades coloniais resolvem alterar o estatuto jurídico de Vila Luso dando a ela o título de cidade, mais apropriado para localidades que eram capitais distritais. No ano seguinte iniciou-se um extenso projeto de obras públicas na cidade.
Durante a Guerra de Independência de Angola, na década de 1960, partindo de Luau, Luena foi tomada pelo MPLA, numa ousada operação que expulsou os portugueses. A partir de 1973 a região começa a sofrer diversos ataques da UNITA e da Força de Defesa da África do Sul, com o MPLA perdendo o controle da cidade para o exército estrangeiro em 1975, durante a Operação Savana.
De 11 de novembro de 1975 a janeiro de 1976, já na Guerra Civil Angolana, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) travaram grandes embates para a expulsão das tropas invasoras sul-africanas, na que ficou conhecida como "batalha do Luso". A cidade de Luena foi libertada depois de dois meses de ocupação estrangeira.
Em 1975/1976, como a cidade tinha um nome português que identificava de alguma forma esta região com o país colonizador, o governo angolano decidiu mudar o sua denominação, dando-lhe o nome do rio Luena, que banha a região.
Foi em Luena que ocorreram alguns episódios que finalizaram a Guerra Civil Angolana, sendo uma das bases de operações decisivas das Forças Armadas de Angola durante batalhas finais que levaram a morte de Jonas Savimbi, líder da UNITA, encerrando o conflito, em 2002.
Durante as guerras muitas ONG trabalharam em Luena, incluindo MSF Belgique, Jesuit Relief Service, GOAL Irlanda, Vietnam Veterans e Medair.
Foi na cidade de Luenda que ocorreu o mais importante dos marcos da pacificação nacional, pondo fim à Guerra Civil que assolava o país desde 1975. Em 4 de abril de 2002, numa conferência pública na cidade, foi assinado o Memorando de Entendimento do Luena — complemento aos acordos de paz de Bicesse e Lusaca —, que definiu o final definitivo do conflito.
A reforma administrativa-territorial de 2024 extinguiu o município de Moxico, com sua jurisdição sendo transferida para o novo município de Luena.