Parauapebas: História
Habitados desde tempos imemoriais por povos indígenas, Parauapebas possui forte ligação com os povos caiapós-xicrins e caiapós-cararaôs. Todos falam variantes das línguas caiapó que, por sua vez, pertencem ao tronco linguístico macrojê. A Terra Indígena Xicrin do Cateté é uma das mais importantes áreas de preservação do Pará, e é o território dos povos xicrins.
Com a descoberta de uma das maiores reservas minerais do mundo na Serra dos Carajás nos anos 1960 e o direito concedido à empresa Vale S.A. (antigamente Companhia Vale do Rio Doce) de explorar minério de ferro, ouro e manganês no local, esta empresa construiu uma rodovia asfaltada com cerca de 200 km entre a cidade de Marabá e as instalações da empresa.
Essa estrada, inicialmente conhecida como Estrada PA Carajás, foi posteriormente transferida ao estado do Pará, passando a ser denominada de PA-275. Ela foi concluída em 1976, alcançando a altura do rio Parauapebas. Vários colonos utilizaram esta via para iniciar pequenas lavouras às margens da estrada em terras de onde atualmente está instalado o município de Parauapebas, formando os primeiros passos da colonização.
No âmbito do Projeto Grande Carajás, a Vale construiu um núcleo urbano ao lado do povoado para abrigar seus funcionários. Nesses, incluem-se os que viriam trabalhar nas obras da Estrada de Ferro Carajás, iniciadas em 1981 e que ligaria a província mineral ao Porto da Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão. O vilarejo que abrigava os trabalhadores da construção era composto de vários cortiços às margens do rio Verde. Este acabou por pegar o nome do acidente geográfico para si, tornando-se o mais antigo bairro da cidade.
A empresa iniciou ainda a construção de uma infraestrutura básica, com escola, delegacia, hospital, prédio da administração e rede elétrica para a Vila Permanente de Carajás, no alto da Serra dos Carajás. Na época, a distrito de Parauapebas já acumulava mais de 20 000 habitantes.
Em 1985, o presidente brasileiro José Sarney inaugurou a Estrada de Ferro Carajás, também construída pela Vale S.A..
Um plebiscito realizado em abril de 1988, com a participação de 16 mil eleitores (82% do eleitorado), aprovou a emancipação de Parauapebas com 99% dos votos favoráveis. O município foi oficialmente criado em 10 de maio de 1988 pela Lei Estadual nº 5.443, mediante desmembramento de área do município de Marabá, sendo instalado no ano seguinte. Ainda em 1988, Faisal Salmen, do PTB, foi eleito o primeiro prefeito da cidade.
O território de Parauapebas foi desmembrado para a criação de dois novos municípios, Água Azul do Norte em 1991 e Canaã dos Carajás em 1994, cujas sedes situam-se a uma distância rodoviária de cerca de 175 km e 65 km da sua sede municipal, respectivamente. Estas emancipações reduziram a área do município a menos da metade do território original.
Entre 2011 e 2015 o município esteve em evidência após denúncias de corrupção e escândalos políticos. Um dos esclândalos ocorreu após tornar se público o conteúdo de uma carta assinada por Roger Agnelli, presidente da Vale, endereçada à presidente Dilma Roussef, onde ele expressava sua preocupação de que a compensação de exploração mineral (royalties) estaria envolvida em tratativas políticas pouco claras, e que haveria desvio de verbas na prefeitura de Parauapebas. …