Moçâmedes: História
O primeiro nome do lugar foi "Chitoto Chobatua" (buraco dos passarinhos), dado pelos mucubais a uma aldeia de pescadores, pastores e caçadores que existia na baía do Namibe, no século XV.
Em 1485, o local passou a chamar-se de "Mossungo Bitoto", e, em 10 de julho de 1645, passou a chamar-se "Angra dos Negros" (ou "Enseada dos Negros"), nome dado por Francisco de Souto-Maior, durante a reconquista de Angola, possivelmente em virtude do embarque de escravos feito naquela baía. Anteriormente, em uma expedição, em janeiro de 1486, chegaram a uma enorme baía, a baía de Porto Alexandre, onde encontraram duas grandes aldeias, a que denominaram de povoado de Angra das Duas Aldeias. Outro nome que a cidade já teve foi de "Pequena Baía dos Peixes".[carece de fontes]?
Somente no ano de 1785, durante uma expedição de supervisão da condição da povoação de Angra dos Negros, foi batizada pelo tenente-coronel Luís Pinheiro Furtado de "Baía de Mossâmedes" em homenagem a José de Almeida e Vasconcelos de Soveral e Carvalho Soares de Albergaria, 1.º Barão de Mossâmedes. A expedição, feita por Pinheiro Furtado e Gregório José Mendes, constatou que o povoado de Mossâmedes, dos pescadores herero-mucubais, estava desorganizado e praticamente abandonado.
Em setembro de 1839 o tenente João Francisco Garcia e o capitão Pedro Alexandrino da Cunha partem numa missão de reconhecimento do povoado de Mossâmedes e das zonas interiores do sul de Angola, dando relatório ao governo colonial em Luanda em dezembro do mesmo ano. Com ordens de José Travassos Valdez, 1º Conde do Bonfim e do governador-geral de Angola Manuel Eleutério Malheiro, tenente Garcia chega novamente ao povoado de Mossâmedes, em fevereiro de 1840, para erguer uma colónia penal, o que viria a ser a Fortaleza de São Fernando de Namibe (concluída em 1844). Astuto negociador, tenente Garcia convence muitos sobas hereros a mudar-se para as proximidades do canteiro de obras da Fortaleza, costurando, em 13 de agosto de 1840, um pacto de amizade e de comércio com os sobas Mossungo e Giraúl, para que as populações locais se aglomerassem no ainda efêmero povoado, que passou a contar a partir daí com oito feitorias e oito casas de negócio.
Em meio aos acontecimentos trágicos da revolução Praieira, entre 1848 e 1849, na província de Pernambuco, no Império do Brasil, parte, em 23 de maio de 1849, a barca "Tentativa Feliz" e o brigue da marinha portuguesa "Douro", com 166 luso-brasileiros a bordo, rumo a Mossâmedes, na Angola Portuguesa. Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Outra expedição luso-brasileira viria para a localidade no ano seguinte.
Na baía do Namibe havia um rio seco, o rio Bero, que Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o líder da primeira expedição, chamou de Nilo de Mossâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. No dia 4 de agosto de 1849 há a fundação oficial do distrito de Mossâmedes, delimitando o povoado de Mossâmedes como sede-capital distrital, com o discurso oficial pelos representantes portugueses na presença das autoridades tradicionais, os sobas Mossungo e Giraúl. Foram erguidos alojamentos temporários no povoado para os portugueses.
No dia 5 de agosto as áreas agrícolas onde foram distribuídas, com Bernardino seguindo para Luanda no dia 16 de agosto para apresentar cumprimentos ao governador-geral. …