Sete Lagoas: História
=== Origens e povoamento ===
Sete Lagoas tem uma história rica e multifacetada que remonta aos primórdios do século XVIII. Uma das figuras centrais no início de sua história é João Leite da Silva Ortiz, nascido em São Paulo, filho de Estevão Raposo Bocarro e Dona Maria de Abreu Pedroso Leme, sobrinha de Fernão Dias Paes Leme. Ortiz, representante da raça dos sertanistas paulistas, era conhecido por sua busca constante por novos territórios e oportunidades.
Como bandeirante, Ortiz desempenhou um papel crucial na exploração e no desenvolvimento inicial da região. Em 1701 chegou à Serra de Congonhas, onde, em vez de encontrar ouro, como era sua intenção inicial, deparou-se com uma paisagem propícia para a agricultura. Esta descoberta levou-o a estabelecer-se na área, fundando a Fazenda do Cercado, onde iniciou atividades agrícolas e pecuárias.
Em janeiro de 1711, Ortiz obteve a Sesmaria do Cercado e, no mês seguinte, a Sesmaria de Sete Lagoas. Esta última, por razões não documentadas, não foi registrada nos livros oficiais da Secretaria do Governo na época. Além de sua influência em Sete Lagoas, Ortiz é reconhecido por fundar o arraial do Curral del Rei, que eventualmente evoluiu para a cidade de Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais.
A história de Sete Lagoas prossegue com a figura de Antônio de Pinto Magalhães, que desempenhou um papel fundamental na evolução da cidade. Ele adquiriu a sesmaria da região, anteriormente pertencente a João Leite da Silva Ortiz. Esta aquisição, documentada oficialmente, representa um marco importante na continuidade do desenvolvimento de Sete Lagoas. A compra da sesmaria por Magalhães é um reflexo da dinâmica de posse e exploração de terras que caracterizava o período colonial brasileiro.
Por volta de 1750, a Coroa Portuguesa formalizou a concessão da sesmaria a Antônio de Pinto Magalhães, cobrindo a área que hoje corresponde à cidade de Sete Lagoas. Essa transferência de posse foi um passo significativo na história da região. Posteriormente, após a execução de Magalhães, a sesmaria foi transferida para o Padre Joaquim de Souza, um movimento que reflete as mudanças políticas e sociais da época.
Durante o período colonial brasileiro, especialmente nos séculos XVII e XVIII, a Coroa Portuguesa implementou uma série de medidas para controlar a extração e o tráfego de ouro e diamantes na região das Minas Gerais.
A partir de 1702, a Coroa Portuguesa determinou a organização da exploração das minas através do Regimento das Terras Minerais. Este regimento estabeleceu que a exploração aurífera deveria ser acompanhada pelo pagamento de um imposto denominado “quinto”, que correspondia a um quinto do valor extraído. Além disso, foram criados postos de controle, conhecidos como “quarteis” ou “registros”, em diversas localidades de Minas Gerais, visando cobrar impostos sobre a circulação de mercadorias e escravos. Um desses postos criados foi em Sete Lagoas.
Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, teve uma presença significativa na cidade. Ele comandou a guarnição militar responsável pela segurança do posto de arrecadação fiscal em Sete Lagoas. Documentos históricos confirmam a presença de Tiradentes na cidade entre 22 de abril de 1780 e 23 de junho de 1781. Durante este período, além de garantir a segurança do Registro, o destacamento militar sob seu comando também tinha a missão de patrulhar as estradas para coibir o contrabando e auxiliar na cobrança dos impostos. …