Soyo: História
Soio (originalmente escrito "Sonho" e pronunciado Sonyo) era uma província do reino do Congo, que se estendia a sul da foz do rio Congo (ou Zaire).
Quando os primeiros portugueses chegaram, em 1482, Soio já era uma entidade administrativa, cujo administrador tinha o título de "Senhor do Soyo" (Muene Soyo).
A localidade recebeu o nome de "Santo António do Zaire", dado pelo navegador português Diogo Cão que, em 23 de abril de 1482, instalou a Ponta de Padrão de São Jorge, marcando a fundação oficial do Soio e a presença lusitana na área. Muene Soyo foi o primeiro governante a ser baptizado quando os missionários católicos chegaram ao reino do Congo em 1491.
Durante o século XVI Soio era governado por um membro da família real Congo, nomeados pelo rei e servindo por um período limitado. O governante na altura em que chegaram os portugueses, foi batizado de Manuel, dizia-se que era o tio do rei governante.
Dentro da supervisão do Congo, o Soio foi autorizado a expandir e conquistar outras regiões sob o domínio real. Assim, Nzinga Nkuwu, rei do Congo em 1491, permitiu uma expansão do território do Soio, na sequência do batismo do governante. Esta expansão permitiu que Soio controlasse várias sub-provincias, incluindo Pambala, Quimi, Tubi, ao longo do rio Congo e Lovata (entre outros) ao largo da costa atlântica.
O porto do Soyo, localizado próximo à foz do rio Congo, tornou-se um importante entreposto comercial do Congo no século XVI. A comunidade de portugueses aí radicados utilizava esse porto para o comércio de escravos, marfim e cobre. Um inquérito real do Congo de 1548 revelou que mais de 4.000 escravos saíram do porto do Soyo para a colônia ilha de São Tomé, e depois para o Brasil a cada ano.
No início de 1590, Miguel foi designado Conde, quando o rei do Congo Álvaro II adoptou o estilo europeu de títulos de nobreza, passando a existir o Condado do Soio. No entanto, ele acabou por se distanciar das ambições de Álvaro e houve um longo período de considerável tensão entre Congo e Soio, resultando no reconhecimento de Miguel como um governante mais ou menos independente. Porém nos reinados seguintes continuaram a ser os reis do Congo continuaram a designar os governantes de Soio.
Já no século XVII, mais propriamente entre 1620 e 1640, houve várias guerras civis no reino do Congo e muitas vezes os próprios condes da região de Soio eram chamados para ajudar.
Mas em 1641, Daniel da Silva substituiu Paulo (anterior conde de Soio) e foi imediatamente contestado pelo recém-empossado rei Garcia II do Kongo, que procurou substituí-lo. Conde Daniel resistiu, alegando que o conde do Soio tinha o direito de ser selecionado através de eleição de seus próprios subordinados nobres. Garcia tentou retornar Soio para seu controle por guerras, mas as tentativas de Garcia, em 1641, 1643, 1645 e 1656 falharam todas, muitas vezes com grandes perdas. Isto deve-se principalmente ao facto de que os exércitos reais não poderiam atacar a área fortificada arborizada do Soio chamado Nifinda Angula perto da capital. …