Ipatinga: História
=== Colonização da região ===
A exploração da região conhecida inicialmente como Sertões do Rio Doce teve início no final do século XVI, em expedições à procura de metais preciosos, no entanto o desbravamento dessas terras foi proibido no começo do século XVII, a fim de evitar contrabando do ouro extraído nas redondezas de Diamantina. O povoamento foi liberado em 1755 e no século XIX, durante mandato de Dom Pedro I do Brasil, bandeirantes estiveram na região, onde constataram a presença de indígenas. Ainda assim, até o século XX a área de Ipatinga não reportou uma significativa colonização. Por volta de 1920, já existiam pequenos núcleos habitacionais nos atuais bairros Barra Alegre, Ipaneminha, Taúbas e Bom Jardim, frutos de apossamentos de terras ou, no caso do Ipaneminha, pontos de parada de uma estrada por onde passavam tropeiros rumo a Ouro Preto e Diamantina.
A locação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) pelo leste mineiro, no entanto, vinha estimulando o desenvolvimento populacional nas áreas próximas das margens dos rios Doce e Piracicaba, assim como viria a ocorrer na região do Vale do Aço. Em 1º de agosto de 1922, foi inaugurada a Estação de Pedra Mole, próxima ao atual bairro Cariru, e no mesmo ano foi construída a Estação de Nossa Senhora, onde surgiu o povoado de Córrego de Nossa Senhora ou Horto de Nossa Senhora, no atual bairro do Horto. Nesse local, foi criada a primeira farmácia da atual Região Metropolitana do Vale do Aço, pelo farmacêutico (e futuro político) Raimundo Alves de Carvalho.
A Estação de Pedra Mole foi desativada poucos anos depois de sua inauguração, devido a uma alteração no traçado da EFVM, e um novo terminal foi construído no atual Centro de Ipatinga. Em 1924, houve a fundação da Estação do Calado, em Coronel Fabriciano, onde se instalou a Companha Siderúrgica Belgo-Mineira na década de 1930. Vastas áreas foram adquiridas com objetivo de centralizar a extração de madeira da empresa pela região, visando a alimentar seus fornos em João Monlevade. Todavia, apenas Coronel Fabriciano experimentou um desenvolvimento populacional e urbano entre as décadas de 30 e 40, intensificado com a instalação da Acesita em 1944, culminando em sua emancipação do município de Antônio Dias em 1948. Pela Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, o povoado de Ipatinga foi elevado a distrito de Fabriciano.
A presença das carvoarias da Belgo-Mineira e da Acesita incentivou o fluxo comercial da localidade, que também foi beneficiada pela construção da Usina Hidrelétrica de Salto Grande, situada no município de Braúnas. O maquinário destinado às obras desse complexo era descarregado no povoamento, onde era armazenado e aos poucos transportado até a barragem. Mesmo assim, o distrito de Ipatinga atraiu pouca atenção da sede até o final da década de 1950. Até então, suas principais atividades econômicas ainda foram ligadas à agricultura e à pecuária. …