Chapecó: História
=== Ocupação pré-colonial e povoamento regional ===
O território do atual município apresenta evidências de ocupação humana anteriores à colonização europeia. Pesquisas arqueológicas registraram em Chapecó sítios com materiais cerâmicos e líticos associados a diferentes ocupações pré-coloniais, sobretudo nas proximidades dos rios Uruguai e Chapecó. Na área urbana do distrito de Figueira, o sítio SC-CH-03 reúne galerias subterrâneas cadastradas em 1979 durante pesquisas arqueológicas realizadas na região.
A presença Kaingang antecede a formação das atuais divisões político-administrativas. No século XIX, grupos kaingang ocupavam e circulavam por um amplo território entre Palmas, os rios Chapecó e Irani e o alto Uruguai. Também se encontravam estabelecidas na região populações caboclas, cuja subsistência estava ligada à agricultura, à criação de animais, à extração de erva-mate e aos caminhos de tropeiros.
Durante o período colonial, o atual oeste catarinense integrou uma extensa zona de fronteira entre as possessões portuguesas e espanholas na América do Sul. A indefinição quanto aos cursos d'água que correspondiam aos limites estabelecidos pelos tratados ibéricos motivou sucessivas expedições de reconhecimento. No final da década de 1780, o geógrafo espanhol Joaquín Gundín identificou o rio hoje conhecido como Chapecó como o curso que, na interpretação espanhola, corresponderia ao Pepiri-Guaçu mencionado nos tratados. A controvérsia territorial foi posteriormente herdada por Brasil e Argentina e integrou a Questão de Palmas, solucionada em 1895 por arbitragem internacional favorável ao Brasil.
No plano interno, a jurisdição sobre a região foi disputada por Santa Catarina e São Paulo e, após a criação da Província do Paraná em 1853, por Paraná e Santa Catarina. Nesse contexto fronteiriço, o governo imperial criou em 1859 a Colônia Militar do Xapecó, instalada em 14 de março de 1882 na Campina do Xanxerê, área pertencente ao atual município de Xanxerê. Sua implantação ocorreu em um território já habitado: documentos da década de 1880 registram famílias caboclas estabelecidas entre Chapecó e Goio-Ên que receberam lotes e foram incorporadas ao núcleo colonial.
A disputa entre Paraná e Santa Catarina prolongou-se até o início do século XX e integrou o contexto territorial da Guerra do Contestado. O acordo de limites firmado em 20 de outubro de 1916 definiu a incorporação da área contestada a Santa Catarina e foi homologado pela Lei federal nº 3.304, de 3 de agosto de 1917. Poucas semanas depois, pela Lei estadual nº 1.147, de 25 de agosto de 1917, foram criados o município e a comarca de Chapecó, com sede provisória em Passo Bormann. A instalação ocorreu em 14 de novembro de 1917. O novo município possuía cerca de 14,8 mil km², abrangendo grande parte do território que atualmente constitui o Oeste Catarinense.
A localização da sede foi motivo de disputas durante os primeiros anos do município, acompanhando a alternância de grupos políticos locais. Depois de sucessivas transferências entre Passo Bormann e Xanxerê, o Decreto estadual nº 100, de 9 de abril de 1931, fixou definitivamente a sede em Passo dos Índios, instalada no mês seguinte. Em 1938, a localidade passou a denominar-se Xapecó; a grafia Chapecó foi posteriormente restabelecida pela Lei estadual nº 247, de 30 de dezembro de 1948. …